Protesto por mais ajuda federal no combate à seca mobiliza 112 cidades gaúchas

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

Com mais da metade dos municípios em situação de emergência, o Rio Grande do Sul enfrenta esta semana mais uma paralisação de prefeituras assoladas pela seca. Desta vez, 112 cidades localizadas no Norte e Nordeste do Estado planejam algum tipo de protesto contra a ajuda federal para combater os efeitos da estiagem, anunciada na sexta-feira (22). Por meio da medida provisória 463, o Ministério da Integração Nacional destinou R$ 880 milhões às regiões atingidas por secas ou enxurradas - R$ 20 milhões ao Rio Grande do Sul.

Nesta segunda-feira (25), as 25 cidades da região das Missões interrompem parcialmente as suas atividades - incluindo serviços administrativos e funcionamento de escolas. O presidente da associação dos municípios da região, Adair Trott, disse que o objetivo é mobilizar a população para pressionar o governo federal por mais recursos. "Vamos botar as máquinas nas estradas", disse Trott, que é prefeito de Cerro Largo.

Mais três associações de municípios estão mobilizando suas prefeituras para paralisar as atividades entre terça (26) e quarta-feira (27). Devem promover ações de protesto cidades das regiões Celeiro, Nordeste e Produção. Entre as ações programadas estão interrupções de estradas e protestos em frente a agências do Banco do Brasil.

Entre 11 e 15 de maio, 21 cidades da região Celeiro já haviam suspendido parcialmente as atividades administrativas como forma de destinar recursos para ajudar as famílias atingidas pela seca. O protesto atual envolve cidades com uma população total superior a 1 milhão de pessoas.

Verba insuficiente
Pelos cálculos da Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), a verba destinada ao Estado representa 2,27% do total destinado pelo governo para combater os efeitos da seca no Sul e das cheias no Norte e Nordeste do país.

Cada cidade gaúcha afetada receberá menos de R$ 100 mil. "É uma quantia preocupante. Parece que o Estado não representa muito para quem está decidindo sobre isso", criticou o presidente da entidade, Elir Girardi.

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Segundo ele, os recursos são insuficientes para atender as necessidades de recomposição das prefeituras e também para apoio às famílias de agricultores. A Famurs estima em R$ 300 mil a ajuda necessária a cidades de até 10 mil habitantes e em R$ 500 mil para municípios com população superior a isso. Girardi pleiteia R$ 250 milhões de ajuda para os três Estados do sul.

Cálculos da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) apontam para um prejuízo de R$ 1,7 bilhão na safra de grãos e na pecuária de leite com a estiagem, que se prolongou por mais de dois meses.

Jorge Rodrigues, coordenador das comissões de grãos e leite da Farsul, disse que a situação é grave. "Os efeitos da estiagem já começam a ser sentidos nas zonas urbanas, com desemprego no comércio e na indústria", avaliou.

A Farsul calcula que os produtores perderam 900 mil toneladas de milho e 1,5 milhão de toneladas de soja. Em Tupanciretã, maior produtor de soja do Rio Grande do Sul, o prejuízo calculado pela prefeitura chega a R$ 100 milhões. O prefeito Luis Adolfo Bittencourt Dias reclamou da ajuda federal. "Não cobre nem 1% dos nossos prejuízos", criticou.

O Ministério da Integração Nacional afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que os recursos destinados à região já estão empenhados, à espera de planos de trabalho para sua utilização. De acordo com os critérios técnicos da Defesa Civil, serão priorizados municípios atingidos, número de vítimas e complexidade dos problemas (alta, média ou baixa).

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