Câmara de Marcelândia (MT) instaura CPI para discutir casos de pedofilia recorrentes na cidade

Elisa Estronioli
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Vereadores da cidade de Marcelândia, no Mato Grosso (a 710 km de Cuiabá), resolveram instaurar uma CPI devido aos recorrentes casos de pedofilia que vêm sendo registrados na cidade. Desde o início do ano passado, 12 pessoas foram presas, desde que a polícia civil da cidade deflagrou a operação "Castração".

A CPI, aberta ontem, foi requerida pelos nove vereadores da casa, após recomendação do juiz Anderson Candioto, da Comarca de Marcilândia, o mesmo que, no ano passado, determinou toque de recolher na cidade a menores de 18 anos para tentar reduzir o problema.

Os casos mais emblemáticos envolvem dois empresários e um pastor. Um dos acusados é Jovino Scarpin, proprietário de um hotel, preso no ano passado. O empresário do setor madeireiro Deoclécio Monteiro foi investigado no mesmo período, mas estava foragido e foi capturado em fevereiro deste ano.

De acordo com o delegado Luiz Henrique de Oliveira, responsável pelas investigações, os dois atuavam de forma independente, mas tinham um mesmo modus operandi: atraíam meninas de classes mais baixas com promessas de bens materiais. Entre julho e outubro do ano passado, a polícia interceptou telefonemas de Monteiro com cinco vítimas e de Scarpin com três. Segundo Oliveira, Monteiro agia em benefício próprio, enquanto Scarpin chegava a oferecer as vítimas para clientes do hotel.

Outro caso envolve o pastor Antônio Hilário Filho, réu confesso, acusado de abusar de oito meninos na faixa dos 11 a 14 anos. De acordo com o delegado, o pastor tinha um time de futebol e dava aulas de música na igreja, além de oferecer celulares e dinheiro às vítimas.

O presidente da Câmara dos Vereadores, Diego Bugarelli, disse que o objetivo da CPI não é investigar os casos já ocorridos, mas detectar as causas da pedofilia e prevenir a população. "Em um primeiro momento, vamos buscar estudar por que acontecem esses casos, detectar as causas sociais disso. Depois, vamos agir com prevenção e instrução à população". A CPI é composta por três vereadores da casa, mas Bugarelli acredita que todos vão querer participar através de ofícios.

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