Autoridades nordestinas calculam prejuízos das chuvas e afirmam que não receberam recursos dos Estados e da União

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Autoridades de três municípios que estão entre os mais atingidos pelas cheias nos Estados do Piauí, Ceará e Maranhão contabilizam os danos causados pelas chuvas que atingem a região há cerca de dois meses e afirmam que ainda não receberam verbas da União e dos Estados para atender as vítimas e para recuperar a infraestrutura urbana e rural.

Desde o início de abril, as chuvas que atingem 12 Estados no país já causaram a morte de 52 pessoas e deixaram 283.487 desalojadas (aquelas que estão abrigadas em casas de amigos ou parentes) e 129.989 desabrigadas (as que estão acomodadas em abrigos públicos), de acordo com o último balanço da Secretaria Nacional de Defesa Civil.

No Maranhão 98.872 pessoas foram desalojadas e 49.374 estão desabrigadas. No Ceará são 40.384 desalojados e 26.615 desabrigados. Já no Piauí, 91.634 estão desabrigadas ou desalojadas, segundo a Defesa Civil Nacional. A previsão da Defesa Civil - baseada em informações do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e do Cptec-Inpe (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) - para esta quarta-feira (27) é de chuvas somente em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

BARRAS (PI)

  • LOCALIZAÇÃO: NORTE DO ESTADO
  • DISTÂNCIA DA CAPITAL: 126 KM
  • POPULAÇÃO: 44.574
  • EXTENSÃO TERRITORIAL: 1.721,586 KM²
  • IDH: 0,581

Barras, Piauí
Segundo o prefeito de Barras, Manin Rêgo (PMDB), 80% da produção da cidade deve ser comprometida em razão das chuvas. "O comércio está parado, as pessoas não conseguem trabalhar, 80% da lavoura ficou debaixo d'água, cerca de 150 cabeças de gado e 2.000 animais de pequeno porte foram perdidos", diz. "A chuva estragou aproximadamente 350 km de estradas, danificou 700 casas e destruiu completamente outras 200", acrescenta.

Apesar dos prejuízos, o prefeito afirma que não recebeu verbas do governo do Estado e da União. "Levamos um plano de trabalho para o presidente da República e encaminhamos um relatório para a Defesa Civil do Estado, mas, até o presente momento, nenhum recurso foi repassado. Só recebemos doações", afirma.

Em Barras, 1.322 famílias, ou cerca de 6.610 pessoas, tiveram que abandonar suas casas por conta das chuvas, de acordo com o último balanço da Defesa Civil Estadual. No total, o município chegou a ter 38 alojamentos para os desabrigados, mas atualmente são 17.

Os atingidos estão recebendo cestas de alimentos e kits com produtos de limpeza. "Na parte de alimentação, o povo está contemplado. Chegaram donativos de empresas, entidades filantrópicas, de pessoas físicas e da Defesa Civil. Assistência nós temos. O problema é a infraestrutura mesmo", diz.

Rêgo afirma ainda que a prefeitura criou brigadas para matar mosquitos e contratou agentes para conter o avanço de doenças epidemiológicas.

Segundo o prefeito, 60% da cidade ficou debaixo d'água, mas os níveis dos rios diminuíram e hoje cerca de 15% da área urbana continua alagada. "A média de chuva em Barras é de 1.600 a 1.800 mm anuais. Neste ano, em menos de cinco meses, já choveu 2.158 mm. A situação deve se normalizar na segunda quinzena de junho", afirma.

Para Rêgo, seriam necessários R$ 12 milhões para construir canais que armazenem a água excedente dos rios, quando o nível subir demasiadamente. Além dessa verba, o orçamento estimado pelo prefeito para recuperar a infraestrutura da cidade e construir cerca de 700 casas é de R$ 21 milhões. "Precisamos de mais de R$ 30 milhões para resolver o problema das enchentes em Barras", diz.

JAGUARUANA (CE)

  • LOCALIZAÇÃO: LESTE DO ESTADO
  • DISTÂNCIA DA CAPITAL: 183 KM
  • POPULAÇÃO: 32.134
  • EXTENSÃO TERRITORIAL: 867,251 KM²
  • IDH: 0,654

Jaguaruana, Ceará
De acordo com a Defesa Civil Estadual, em Jaguaruana, cerca de 3.800 pessoas estão desabrigadas e 1.200 desalojadas. João Batista Rebouças, chefe de gabinete de Antônio Roberto Rocha Silva, prefeito de Jaguaruana, calcula que, em função dos danos causados pelas chuvas, a cidade deve produzir 40% a menos neste ano. "Cerca de 80% da produção agrícola foi destruída. Todo camarão que estava sendo cultivado foi perdido. Algumas indústrias tiveram que parar suas atividades", afirma.

Acompanhado do prefeito da cidade, João Batista disse que está sendo feito "um levantamento em conjunto com a Defesa Civil para avaliar os danos na infraestrutura". Segundo o chefe de gabinete, até o momento aproximadamente 200 residências foram comprometidas pelas chuvas e 20 destruídas completamente. "Ainda não recebemos nada, mas o governador (Cid Gomes) visitou a nossa cidade e se comprometeu a fazer um repasse de R$ 400 mil", diz.

A previsão de Batista é que a situação no município comece a normalizar entre 15 e 20 dias. "A água baixou um pouco e algumas famílias já voltaram para suas casas, mas várias localidades na zona rural ainda estão sem acesso. Nossas estradas estão destruídas", acrescenta Batista. "Esse ano está sendo atípico. Nossa média histórica de chuvas é entre 400 mm e 600 mm por ano, mas nesse ano já choveu pelo menos 1200 mm", diz.

BACABAL (MA)

  • LOCALIZAÇÃO: REGIÃO CENTRAL DO ESTADO
  • DISTÂNCIA DA CAPITAL: 250 KM
  • POPULAÇÃO: 97.946
  • EXTENSÃO TERRITORIAL: 1.682,601 KM²
  • IDH: 0,623

Bacabal, Maranhão
No município maranhense de Bacabal, a chuva atingiu cerca de um terço de toda a população urbana, segundo Roseane Maria do Nascimento, secretária municipal de Ação Social. A Defesa Civil contabiliza, no município, 5.510 desalojados e 4.360 desabrigados. "A população já se acostumou. Todos os anos têm enchentes nas cidades próximas do rio Mearim, embora nesse ano a chuva tenha sido mais intensa e duradoura", afirma.

De acordo com Roseana, o comércio da cidade não foi afetado, mas, na zona rural, cerca de 90% da agricultura ficou comprometida. "As lavouras permanecem alagadas. As estradas estão intrafegáveis. O Corpo de Bombeiros não está conseguindo chegar em algumas comunidades afastadas. Solicitamos uma aeronave porque é o único meio de chegarmos em alguns locais. No total, quase 700 casas foram danificadas e outras 150 casas de taipa desmancharam nas águas", diz.

Médicos, enfermeiros, equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros de São Paulo chegaram ao município para ajudar nos trabalhos, segundo a secretaria. "Recebemos cestas básicas, medicamentos, roupas e calçados", afirma Roseana.

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