Chuva danifica sistemas de abastecimento e deixa 500 mil pessoas sem água em Alagoas

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Pelo menos 500 mil pessoas da região metropolitana de Maceió (AL) sofrem com a falta d'água nesta quarta-feira (27) por conta da forte chuva que caiu na tarde de ontem. Duas das principais estações de tratamento da capital alagoana foram danificadas, o que deixa mais da metade da população de Maceió e todo o município de Satuba sem abastecimento.

O caso mais grave aconteceu no fim da tarde desta terça-feira (25). Um deslizamento de terra destruiu um trecho do aqueduto do sistema Catolé-Cardoso, que fornece água a 14 bairros de Maceió e ao município de Satuba. Regiões como a orla lagunar e o centro da capital, além dos 15 mil moradores do município vizinho, estão sem água desde o início da noite de ontem.

Segundo o superintendente técnico da Casal (Companhia de Saneamento de Alagoas), Jorge Brizeno, o problema foi grave. "Choveu muito naquela região, inclusive foram registrados vários alagamentos. Nossos técnicos descobriram que uma árvore de grande porte se desprendeu depois de um deslizamento de terra e interrompeu a ligação da água entre a barragem e a estação de tratamento", afirmou.

Segundo ele, além da interrupção de um trecho, a sujeira levou o sistema a ser 100% paralisado. "A água está chegando turva e com excesso de material sólido à estação", destacou.

Brizeno ainda informou que não existe uma previsão para que o fornecimento seja restabelecido nessa região. "É um local de difícil acesso e que está cercado pela lama. Nós só podemos dar uma previsão no final do dia, quando nossos técnicos tiverem acesso ao local e uma dimensão do tamanho do estrago", assegurou o diretor.

Segundo a Casal, o aqueduto Catolé-Cardoso tem 11 quilômetros, foi construído há 50 anos e necessita de manutenções constantes devido ao tempo de uso.

Maior bairro sem água
Outro sistema de abastecimento afetado pela chuva foi o Pratagy. A estação é responsável pelo fornecimento d'água à parte alta de Maceió, entre eles o maior bairro da cidade - o Benedito Bentes, onde moram mais de 150 mil pessoas.

Segundo o superintendente Jorge Brizeno, "a água do rio Pratagy, que está chegando até a Estação de Tratamento do Sistema, está imprópria para consumo devido à turbidez." Para a região, a expectativa é que a água volte às torneiras no início da tarde de hoje, mas a previsão depende da trégua da chuva.

População protesta
A parte alta de Maceió - onde ficam os principais sistemas de abastecimento da região metropolitana - foi a mais afetada pelas chuvas das últimas horas. Além da falta de abastecimento, os moradores sofrem com ruas e casas alagadas. Na Universidade Federal de Alagoas, as aulas foram suspensas.

Sem água, os moradores dos bairros afetados reclamam da falta de aviso por parte da Casal da suspensão do abastecimento. "Estou sem água desde ontem. É um absurdo a Casal não avisar que vai faltar água. Eu estou tomando banho com água da chuva", reclamou Aparecida Francisca, do distrito de Fernão Velho, que fica na parte alta da cidade.

Na região da orla lagunar, os moradores também protestam. "Agora toda vez que chove eles [Casal] param de mandar água pra gente. Duvido que falte água lá na Ponta Verde [bairro nobre da orla de Maceió]. O que falta é investir em bairro pobre", reclamou José Joaquim, morador do bairro do Vergel do Lago.

A Casal reconhece que as constantes chuvas vêm causando problemas no abastecimento de alguns bairros da capital e região metropolitana. Segundo a companhia, o problema se deve à sujeira que vem junto à água quando há chuva forte, o que levaria à suspensão do abastecimento em algumas ocasiões.

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