IPT diz que recomendou manutenção de sede da Renascer que desabou em SP

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Em nota divulgada à imprensa nesta quinta-feira (28), o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) afirma que recomendou a manutenção periódica da sede da igreja Renascer, onde um desabamento causou a morte de nove pessoas em janeiro deste ano. O advogado da Renascer afirma que laudo do IC (Instituto de Criminalística) aponta que aquele instituto teria deixado um "vício oculto", que teria ocasionado o acidente no Cambuci, zona sul de São Paulo.

Desabamento causou nove mortes e mais de 100 feridos

  • Fabiano Cerchiari/UOL

    O inquérito sobre as causas do acidente ainda não foi concluído



Nesta quarta (27), o advogado Luiz Flávio Borges D'Urso, que representa a Renascer em Cristo, afirmou que teve acesso ao laudo do IC, entregue anteontem à polícia, e diz que o documento isenta a igreja de responsabilidade no caso. Para D'Urso, o laudo diz que o IPT, ao liberar a utilização do prédio em 2000, deixou de informar sobre uma das tesouras do telhado, que não havia sido reforçada corretamente. Segundo o IPT, todas elas estavam em ordem, e o prédio foi reaberto após uma reforma feita pela igreja.

O advogado afirma que o erro "gerou legitimamente para a Igreja Renascer a falsa sensação de segurança plena", que reabriu a sede. "A conclusão do laudo aponta esse 'vício oculto' como fator preponderante que desencadeou o desabamento. Dessa forma, é a análise técnica feita pelos peritos que, ao nosso entendimento, isenta de responsabilidade a Igreja Renascer quanto ao evento", defendeu.

Hoje o IPT afirma que "visitou as instalações da Igreja Renascer em 2000 e verificou que a segurança da estrutura do telhado estava restabelecida nas condições constatadas naquela data".

Segundo a nota, "o IPT recomendou em seu relatório técnico 44.090/2000 que: 'a segurança precisa ser verificada ao longo do tempo, inspecionando-se periodicamente, para detectar possíveis danos causados à estrutura de madeira por fadiga, desgaste físico, biodeterioração e eventual sobrecarga não prevista'". Desde 2000, informa, "não teve mais acesso à estrutura do telhado e nem aos escombros após o acidente".

Problema no telhado
Segundo reportagem do jornal "Estado de S.Paulo", exame elaborado por técnicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), anexado ao laudo final do IC, das 14 tesouras de madeira que sustentavam o telhado, apenas uma, a que ficava em cima do púlpito, não havia recebido reforço metálico durante a reforma da igreja, entre 1999 e 2000. Essa tesoura ruiu em 18 de janeiro, no momento em que fiéis do culto das 17h saíam e outros chegavam para celebração seguinte.

O prédio havia sido interditado havia dez anos por problemas no telhado. A igreja alegou, à época, que um laudo do IPT atestou a qualidade da reforma e que o prédio era seguro. Disse ainda que, no segundo semestre de 2008, foi realizada a troca de telhas. A empresa contratada, Etersul Coberturas e Reformas Ltda, não tinha licença do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-SP).

Já o IPT de SP disse que foi contratado em 1998 para avaliar as condições da estrutura e que recomendou uma série de recomendações para que a qualidade do teto fosse mantida.

Veja como era e como ficou a igreja após o desabamento


Mais imagens da igreja original

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