Renúncia de Carli Filho (PSB) foi apenas "um passo na caminhada por justiça", diz mãe de vítima

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Após Fernando Carli Filho (PSB), envolvido em um acidente de trânsito no dia 7 de maio, em Curitiba, que terminou com a morte de Gilmar Rafael Souza Yared, 26, e Carlos Murilo de Almeida, 20, renunciar ao cargo de deputado estadual pelo Paraná, Cristiane Yared, mãe de uma das vítimas, afirma que o ato é "só mais um passo na caminhada por justiça". Carli Filho dirigia em alta velocidade e, segundo o IML (Instituto Médico Legal), estava alcoolizado.
  • Franklin de Freitas/Folha Imagem - 24.mai.2009

    Familiares e amigos de Gilmar Rafael Yared, 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, 20, jovens mortos em um acidente de carro que envolveu o deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho (PSB) durante passeata, em Curitiba (PR), para pedir paz e justiça


"A renúncia já era esperada. Isso só foi um passo na nossa caminhada por justiça. Continuaremos na luta", disse Cristiane por telefone ao UOL Notícias, logo após ter se reunido com o presidente da Assembleia Legislativa, Nelson Justus (DEM), a quem agradeceu por a Casa ter considerado o pedido de cassação do deputado, apresentado pela família Yared.

O documento de renúncia de Carli Filho, apresentado pelo advogado Roberto Brzezinski, será lido por Justus na próxima sessão plenária, a ser realizada na segunda-feira (1º). Só então o suplente poderá assumir o mandato de deputado estadual, que se encerra em 31 de janeiro de 2011. Carli Filho foi eleito para o cargo em 2006, com 46.686 votos.

Por ter renunciado, Carli Filho perderá o privilégio de ser julgado em órgão especial no Tribunal de Justiça do Paraná. O advogado de defesa dos Yared, Elias Mattar Assad, encaminhou pedido ao procurador-geral de Justiça do Paraná para que os promotores já designados para o caso sejam mantidos.

Muito emocionada, Cristiane afirmou que "exige esclarecimentos sobre o caso". "Espero agora é que seja esclarecido todo esse circo. Eu sou obrigada a lidar com pessoas que dizem que eu quero aparecer, que eu quero virar deputada. Eu falo pelo meu filho, que não está mais aqui para se defender. Isso é circo para muita gente, mas para mim é coisa séria."

Com a renúncia, o ex-deputado não corre mais o risco de perder os direitos políticos por oito anos, o que ocorreria se ele fosse cassado pela Assembleia, que já havia aberto sindicância interna para analisar a acusação de quebra de decoro parlamentar. Amanhã, para debater o caso, a família organizará uma audiência pública no centro de Curitiba que deverá ter a participação de políticos e representantes da sociedade civil.

CRM escutará médicos do deputado
O Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná acatou o pedido do advogado da família para que os médicos que trataram de Carli Filho no hospital Evangélico, em Curitiba, e no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, prestem esclarecimentos sobre fatos que ocorreram enquanto ele estava internado.

Assad fez o pedido após o exame realizado pelo IML no sangue de Carli Filho coletado no Hospital Evangélico ter dado negativo para a presença de álcool, ao contrário do exame realizado no sangue colhido pelos peritos da Polícia Civil logo após o acidente, que indicaram 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue do deputado, quantidade cerca de quatro vezes maior do que o limite permitido para dirigir, que é de 2 decigramas.

Além disso, a família Yared e o advogado desconfiam que os hospitais ocultaram a situação de saúde do deputado a fim de mantê-lo internado por mais tempo e protegê-lo da opinião pública.

O deputado permanece internado, sem previsão de alta, em um quarto comum do Albert Einstein, em São Paulo, após ter passado pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Unidade de Terapia Semi-Intensiva. Carli Filho foi submetido a uma cirurgia para correção de fraturas na face e no crânio no dia 10 de maio.

Segundo o Detran (Departamento Estadual de Trânsito), Carli Filho recebeu 30 multas desde 2003, 23 delas por excesso de velocidade. A carteira de motorista do deputado foi suspensa com 130 pontos, enquanto o máximo permitido é de 20. Carli Filho recorreu de 12 das 30 multas.

A reportagem do UOL Notícias tentou entrar em contato com o advogado e familiares de Carli Filho, mas não obteve sucesso.

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