Defensoria Pública abre sala em favela de Belo Horizonte

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte

"Sinto-me mais cidadão", diz o pedreiro Paulo Xisto dos Santos, 39, ao entrar na sala da Defensoria Pública de Minas Gerais, inaugurada nesta semana de forma pioneira na favela Morro do Papagaio -uma das quatro que formam o aglomerado Santa Lúcia, localizado na região centro-sul de Belo Horizonte. Paulo foi uma das 14 pessoas atendidas no 1º dia de funcionamento, quarta-feira (27).
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    Paulo Xisto dos Santos, 39, foi à Defensoria buscar informações sobre a guarda dos filhos

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    Imóvel onde funciona a Defensoria Pública na favela do Morro do Papagaio. ela faz parte do aglomerado Santa Lúcia, região Centro-Sul de Belo Horizonte



O pedreiro buscou informações sobre a possibilidade de obter a guarda de quatro filhos, que vivem com a ex-companheira. Para ele, a proximidade da defensoria recém-inaugurada vai ajudar a comunidade que, segundo ele, em sua maioria, não tem condição de ir ao "asfalto" em busca de soluções aos conflitos do dia-a-dia.

"Aqui tem muita gente com muitos problemas que não têm tempo nem dinheiro para ir ao asfalto resolver. Eu não consegui resolver meu 'pepino', mas fiquei satisfeito de ter sido orientado onde devo ir para descascar o abacaxi e procurar os meus direitos", diz Silva, que há três anos tenta a guarda dos filhos. Um dos empecilhos, conta, foi a desinformação encontrada nos órgãos por onde passou.

"Já fui ao Conselho Tutelar, ao fórum, mas é muita burocracia. A gente não é informado direito e acaba desistindo porque ninguém orienta de forma 'reta' como resolver o nosso problema", diz Silva.

A dona de casa Silvandira dos Santos, 48, também aprovou. "Agora a gente não precisa mais ir lá embaixo buscar orientação nessas questões com a Justiça, porque nem todo dia a gente tem dinheiro para pagar a passagem. Hoje, para você ter uma ideia, eu vim a pé", afirma Silvandira, que somente foi ao local para acompanhar uma vizinha, mas fez questão de conhecer. "Lá embaixo" refere-se ao centro da cidade de Belo Horizonte.

"Espero que isso não seja somente uma coisa passageira. A minha vizinha está há um mês atrás de um advogado gratuito, porque um que ela tinha arrumado queria cobrar R$ 2.500 só dar uma olhada no caso do filho dela, que está preso", disse.
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    A dona de casa Silvandira dos Santos, que foi acompanhar uma amiga



Em uma sala acanhada, cedida pela Paróquia Nossa Senhora do Morro, a defensoria promete atender a uma comunidade onde moram aproximadamente 36 mil pessoas, nas terças, quartas e quintas-feiras, das 13h às 17h.

Os 14 casos recebidos na quarta (27) versaram sobre pedido de guarda de filhos e separação de casais, além de pensão alimentícia, afirmou o defensor público Hélio da Gama e Silva, titular do local.

Funcionários recrutados na comunidade
O office-boy Felipe Assis, 18, foi o primeiro funcionário a ser contratado para trabalhar. Morador da comunidade, ele foi recrutado entre funcionários da equipe que presta serviço na sede da Defensoria Pública, que funciona no centro da capital.

"Tem gente aqui na nossa comunidade que nem sabia que existia a Defensoria Pública. Eles não imaginavam que poderiam ter acesso à Justiça sem ter de gastar dinheiro", diz Assis, sem esconder a satisfação de ter conseguido o emprego perto de casa. "Fica muito mais fácil, agora posso vir a pé. Sempre que posso, divulgo a novidade do serviço aqui na comunidade aos meus vizinhos e amigos."

Segundo a Defensoria Pública de Minas Gerais, além do defensor público, a intenção é que o local funcione com cinco estagiários de direito, que serão escolhidos entre moradores do local.

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