Servidores municipais e do Judiciário param por melhoria salarial em Salvador

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

A capital baiana vive uma quarta-feira de paralisações no setor público. Além dos professores da rede municipal, que estão em greve por tempo indeterminado desde a segunda-feira (1), os demais servidores municipais decidiram paralisar as atividades em todos os órgãos ligados à Prefeitura de Salvador por 72 horas, a partir de hoje. O movimento atinge cerca de 22 mil funcionários, que estão em campanha salarial e reivindicam piso na remuneração de R$ 695, plano de cargos e salários, assistência à saúde e melhores condições de trabalho.

A exceção do movimento conjunto refere-se apenas a atividades consideradas essenciais, como o funcionamento dos postos de saúde e da Defesa Civil. Conforme informações do diretor do Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador (Sindseps), Edmilson Pereira, outros órgãos como a Transalvador, que controla o trânsito na capital, e a Guarda Municipal funcionam com efetivo de 30%, em atendimento à legislação.

Pela manhã, os manifestantes dividiram-se em manifestações na praça da Cruz Caída, na praça da Sé, próximo à sede da prefeitura, no centro histórico da cidade, e em frente à sede da Sucom (Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo), onde chegaram a realizar piquetes, tentando impedir a entrada de qualquer servidor que quisesse trabalhar.

A paralisação foi decidida em assembleia realizada na noite da terça-feira (2). "Chegamos ao limite de nossa paciência, não nos restou outra alternativa", disse o sindicalista Gustavo Mercês.

Com a paralisação, operações como a 'tapa buracos' nas principais ruas e avenidas, que vem minimizando os efeitos das fortes chuvas que caíram recentemente sobre a cidade, estão suspensas. Conforme o sindicato, caso não haja entendimento com a prefeitura até sexta-feira (5), a categoria entrará em greve por tempo indeterminado, a partir da segunda-feira (8).

Everaldo Braga, coordenador geral do Sindseps, explica que os servidores têm feito paralisações pontuais desde 21 de maio mas, segundo ele, a prefeitura não apresentou nenhuma contraproposta.

Professores fora das salas de aula
Já os professores da rede de ensino municipal de Salvador anteciparam-se ao movimento coletivo e cruzaram os braços já na segunda-feira (2). Na semana passada, eles realizaram um movimento de paralisação por 72 horas, pedindo melhoria salarial, e, como não houve avanço nas negociações com o município, decidiram deflagrar a greve geral. A categoria quer aumento salarial de 9,01% e plano de saúde.

"Entregamos uma pauta com os pleitos da categoria no dia 1° de abril, mas até aqui não obtivemos qualquer resposta da secretaria", justifica Elza Souza, diretora da APLB-Sindicato, entidade que representa os docentes na Bahia.

Ela garante que cerca de 90% dos 5.500 professores municipais devem aderir ao movimento. "Os poucos que ainda permanecem em sala de aula estão sendo convencidos pelos colegas a parar também", informa.

Os docentes realizaram um apitaço nesta manhã em frente à sede da Secretaria de Educação, cobrando um posicionamento da prefeitura. O sub-secretario de Educação, Eliezer Cruz, disse apenas que para se manifestar o órgão depende da posição de outras secretarias.

São 414 escolas municipais, em Salvador, que atendem 165 mil alunos.

Judiciário também parou
No Estado, os servidores do Judiciário paralisam as atividades por 24 horas para a realização de uma assembleia extraordinária no fórum Ruy Barbosa, localizado no bairro de Nazaré. Os servidores reivindicam um reajuste salarial de 5,09% e aumento no ticket refeição.

A implementação de alguns itens da Lei de Organização Judiciária, que foi reformada em 2008, também está na pauta da categoria.

Conforme o Sindicato do Poder Judiciário do Estado da Bahia (Sinpojud), em consequência da paralisação, os cartórios, tabelionatos, juizados, varas cíveis e criminais de Salvador não funcionam, à exceção de serviços essenciais como o plantão judiciário, emissão de guia de sepultamento, liberação de habeas corpus e liminares referentes a planos de saúde.

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