Para familiares de vítimas dos voos da TAM e da Gol, acidente do AF 447 reabre feridas e reaviva lembranças

Haroldo Ceravolo Sereza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

"A cada acidente que acontece, mexe muito. Este acidente é muito parecido: a situação de espera, aquele momento que parece uma eternidade." Quem fala assim é Angelita de Marchi, que perdeu o marido, Plínio Luiz de Ciqueira Júnior, no acidente do voo 1907, da Gol. Em 29 de setembro de 2006, um Boeing da companhia caiu após uma colisão com um jato Legacy que conseguiu manter-se voando, e 154 pessoas morreram.



Menos de um ano depois, Marchi, que se tornou uma das lideranças do grupo de familiares de vítimas do acidente, viu-se forçada a acompanhar o noticiário de um outro acidente de grandes proporções, a queda do voo 3054, da TAM, em Congonhas, no dia 17 de julho de 2007. Nesta vez, morreram 199 pessoas.

Agora, um novo acidente envolvendo um Airbus, a queda do avião da Air France, em pleno Oceano Atlântico. "As coisas estão acontecendo muito perto", diz Angelita, que, como outros parentes de vítimas de acidentes aéreos, trata a memória desses eventos como feridas que são "cutucadas" a cada novo desastre.

O engenheiro Archelau Xavier, pai de Paula Masseran de Arruda Xavier, usa a palavra "angústia" para tratar do voo 447 e diz viver "a ânsia de que o milagre aconteça" - ou seja, de que sejam encontradas pessoas com vida. "Nós sentimos exatamente a mesma coisa."

"Parece que eu tinha levado uma paulada na cabeça outra vez", diz Maria Estela Outor Teixeira. Para ela, as famílias do voo 447 têm uma dificuldade adicional: "O avião do meu filho estava lá, naquele prédio. Agora, pensa bem, essas famílias, não saber onde estão [os corpos]", diz.

Para além das lembranças, os parentes de vítimas estão organizados em associações que acompanham os novos casos, seguem as investigações, discutem questões de segurança de voo com os governantes.

Em depoimento ao UOL Notícias (veja acima), Archelau e Maria Estela não falaram da indenização pela morte dos seus filhos, mas comentam a questão e criticaram autoridades - Maria Estela critica o ex-presidente da Infraero José Carlos Pereira, que dirigia a estatal na época do acidente; Archelau, cobra a Polícia Federal.

Na opinião de Archelau, o delegado que acompanhava o caso - e que o deixou o posto que ocupava - devia ter concluído seu relatório depois de finalizado o inquérito da Polícia Civil paulista. Como um novo delegado terá de ser indicado para o caso, Archelau acredita que isso pode atrasar a punição dos responsáveis. Archelau, por outro lado, elogiou a constituição, pelo Ministério da Justiça, da chamada Câmara de Indenização, que resultou em quase 60 acordos que beneficiaram familiares de vítimas do acidente da TAM. "Agora está sendo feita a conclusão desses acordos extra-judicais."

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