MST protesta em 15 Estados contra corte de verbas em programa de educação

Elisa Estronioli
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizada às 19h02

Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) deram início nesta segunda-feira a uma série de protestos e ocupações, na chamada Jornada Nacional em Defesa da Educação e do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

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Até o momento, foram confirmadas ações nos Estados de Ceará, Piauí, Pernambuco, Bahia, Alagoas, Paraíba, Pará, Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os manifestantes alegam que o governo federal cortou 62% (ou cerca de R$ 40 milhões) dos recursos do Pronera, programa responsável por assegurar a escolarização para jovens e adultos nas áreas de reforma agrária.

A estimativa do movimento é de 200 manifestantes em Salvador (BA), 400 em Fortaleza (CE), 350 em Teresina (PI), 400 em Goiânia (GO), 500 em Curitiba (PR), 250 em Chapecó (SC), 200 em Belo Horizonte (MG), 200 em João Pessoa (PB), 300 em Porto Velho (RO), 150 em Marabá (PA), 400 em São Paulo (SP), 200 em Teodoro Sampaio (SP), 300 em Porto Velho (RO) e 150 em Marabá (PA) e cerca de 2.000 em Maceió (AL). Recife, Petrolina (PE), Porto Alegre (RS) e Cuiabá (MT) não confirmam números.

Em alguns locais, como São Paulo, Petrolina, Salvador e Chapecó, os manifestantes ocuparam o prédio das respectivas superintendências do Incra. Em Porto Alegre, Cuiabá, Curitiba e Belo Horizonte, as manifestações ocorrem em frente aos prédios. No Rio de Janeiro e no Espírito Santo, foram realizadas audiências com as superintendências regionais do Incra.

Em Petrolina, o integrante do MST Erivan Hilário disse que a forma de protesto foi montar uma "sala de aula" dentro do prédio do Incra. "Como a pauta é nacional, não há negociação (na superintendência), mas a entrega das reivindicações, com a recomposição do orçamento do Pronera, a retomada de parcerias com universidades e a regularização do pagamento dos professores." Paulo Roberto Miranda, da direção estadual do movimento no Paraná, disse que cinco turmas de escolarização do Estado estão com o repasse dos recursos atrasado.

De acordo com o MST, desde que foi implantado, em 1998, o Pronera foi responsável pela escolarização de mais de 500 mil trabalhadores rurais assentados. Atualmente, 17.478 jovens e adultos das áreas de reforma agrária estão matriculados em 76 cursos de educação de jovens e adultos, nível médio técnico-profissionalizante e cursos superiores, através do programa.

"O corte no orçamento do Pronera é um grande retrocesso e caminha na contramão das necessidades dos trabalhadores rurais. Precisamos fortalecer o programa, que atende justamente aos camponeses, que foram historicamente excluídos do acesso à educação no nosso país", afirmou o coordenador de educação do MST, Edgar Kolling, em nota à imprensa.

Segundo nota do movimento, uma comissão se reúne amanhã (9) às 10h com o presidente do instituto, Rolf Hackbart, para apresentar pauta sobre a educação. "A continuidade das ocupações e dos protestos dependem do resultado das negociações com o Incra", disse Kolling.

Também em nota, o Incra afirmou que "está buscando a recomposição do orçamento para ampliar e dar continuidade" ao Pronera.

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