Sem acordo, greve de metroviários de Porto Alegre causa prejuízo diário de R$ 70 mil

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

A greve dos metroviários de Porto Alegre (RS) completou uma semana nesta terça-feira (9) provocando prejuízos médios de R$ 70 mil por dia, segundo a Trensurb (Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre). Em assembleia realizada na segunda-feira (8) à noite, os trabalhadores rejeitaram a última proposta de acordo apresentada pela empresa. "Estamos cada vez mais longe de resolver o impasse", disse o presidente da Trensurb, Marco Arildo Cunha.
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    Sem trens, ônibus que faz a integração em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre, segue lotado até o ponto final

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    Estação final em Porto Alegre permanece vazia com greve dos metroviários


A greve, iniciada no dia 2 de junho, já deixou de transportar 451 mil usuários até o último domingo (7). Segundo balanço divulgado pela empresa, os prejuízos representam cerca de 60% do faturamento normal da companhia, que transporta 170 mil passageiros diariamente na região metropolitana de Porto Alegre. O prejuízo contabilizado no oitavo dia de greve chega a R$ 500 mil.

A proposta rejeitada pelo Sindimetrô (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários) oferecia reajuste de 10,5% pelo período de dois anos, abono de R$ 860 e pagamento de indenização pela diferença do adicional noturno, calculada individualmente. A proposta da Trensurb atendia a uma sugestão feita na última sexta-feira pelo presidente em exercício do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Carlos Alberto Robinson, e pela procuradora do Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul (MPT-RS), Beatriz Junqueira Fialho, para tentar encerrar a paralisação.

Os grevistas reivindicam reajuste de 12,15% para o período de um ano, além de adicional noturno de 50% par os novos contratados. "Estamos oferecendo o maior índice de aumento de todas as estatais no país", disse Cunha. A empresa, segundo ele, não vai apresentar uma nova proposta. Além disso, a direção da empresa anunciou que vai descontar os dias parados. A greve, segundo Cunha, também terá impacto nas férias dos funcionários.

O presidente do Sindimetrô, Renato José Schuster, disse que a categoria só volta ao trabalho com o atendimento total das reivindicações. Ele considerou "ridícula" a proposta de aumento de 10,5% para um período de dois anos. "Nossa proposta só recupera as perdas salariais calculadas até maio passado", afirma Schuster. A categoria tem reunião nesta terça-feira no Ministério do Planejamento, em Brasília, para tentar solucionar o impasse.

Transtornos no trânsito
Os metroviários têm garantido o serviço de trens apenas nos horários entre 5h30 e 8h30 e entre 17h30 e 20h30. A greve causa transtorno à população da região metropolitana da capital gaúcha, especialmente entre as cidades de Canoas e São Leopoldo. A região é um dos principais pólos industriais do Estado.

A BR 116, que acompanha os 33 quilômetros de linha do trem urbano, recebeu nos últimos dias cerca de 20% a mais de veículos em função da greve, segundo a Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan).

A Polícia Rodoviária Federal informou que o fluxo de automóveis aumentou entre 7h e 9h e depois das 19h. A professora Marta Quintanilha, que utiliza o metrô todas as noites para dar aulas na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), passou a se deslocar de carro no trecho entre Porto Alegre e São Leopoldo. Os engarrafamentos nos horários de pico têm superado os 5 quilômetros.

"De ônibus, o trajeto é mais demorado e muito mais longo", justificou a professora. Enquanto durar a greve, ela disse que continuará utilizando o automóvel para se deslocar ao trabalho. Boa parte dos 30 mil alunos da Unisinos também utiliza o sistema de transporte da Trensurb, que mantém integração com cerca de 175 linhas de ônibus da região.

Com a falta de acordo, o destino da greve pode parar oficialmente no Ministério Público do Trabalho. A procuradora Beatriz Junqueira Fialho, que está intermediando as negociações, cogita remeter o caso ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para julgamento do dissídio. "Há previsão legal para isso nos casos de impasse. Uma vez julgada, a decisão do Tribunal passa a ter força de lei e precisa ser cumprida", disse a procuradora.

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