Chuvas diminuem, mas desabrigados e cidades ilhadas persistem no Norte e no Nordeste

Do UOL Notícias
Em São Paulo (*)

As chuvas que castigam as regiões Norte e Nordeste há mais de um mês deram trégua nos últimos dias, mas milhares de desabrigados ainda não podem para voltar para suas casas e dezenas de cidades estão em situação de emergência, informaram nesta quarta-feira órgãos de Defesa Civil estaduais.

No Estado do Amazonas as chuvas diminuíram, mas não aliviaram a situação de 308.803 pessoas foram afetadas até o momento - número que pode subir, de acordo com a Defesa Civil amazonense, porque as águas do rio Negro continuam subindo. Há 55 municípios estão em situação de emergência.


As principais cidades prejudicadas são Fonte Boa, Manacapuru, Careiro da Várzea, Itacoatiara, Parintins e Coari, que recebeu nesta quarta-feira a visita do governador Eduardo Braga (PMDB). Ele deve viajar à noite para Brasília para discutir o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No Pará as chuvas também minguaram, de acordo com a Defesa Civil, mas ainda não era possível uma nova avaliação sobre se persiste o número de 63.635 famílias afetadas em 60 municípios, anunciado na sexta-feira. O órgão não tem previsão de divulgação de um novo balanço sobre os prejuízos causados pelas tormentas .

Nordeste
Em Alagoas, 59.606 pessoas estão desabrigadas (porque perderam suas casas) ou desalojadas (provisoriamente na casa de parentes ou conhecidos), de acordo com o governo estadual.

Segundo estimativas iniciais, os temporais no início do inverno causaram prejuízo de pelo menos R$ 18 milhões.

A Associação de Municípios de Alagoas (AMA) informou que o número deve crescer conforme as prefeituras avaliam os danos. Esses trabalhos ainda foram feitos em muitos municípios e a maior preocupação agora é com a destruição de acessos às cidades do interior.

Segundo a Defesa Civil alagoana, até esta quarta-feira 28 dos 102 municípios do Estado tinham decretado situação de emergência. Ao todo, desde o dia 1° de maio, sete pessoas morreram. Nesse período, centenas de barreiras deslizaram rios e lagoas transbordaram. O rio Quebrangulinho chegou a registrar uma elevação de 1,80m, invadindo dezenas de casa na região do Vale do Paraíba.

Os decretos de emergência devem facilitar a chegada de recursos do governo federal. Segundo a Defesa Civil, R$ 10 milhões serão destinados aos 12 municípios que foram afetados já no início de maio.

No Maranhão a situação melhorou consideravelmente com a diminuição das chuvas, de acordo com a Defesa Civil, mas ainda há duas cidades em grande dificuldade no centro do Estado: Vitória do Mearim e Arari. Nesses dois municípios a expectativa é de que o nível das águas baixe somente dentro de dez dias. Não há expectativa de divulgação de novos números sobre desabrigados. O número de prejudicados chegou a 400 mil no auge da crise.

Com a trégua das tormentas, a maior preocupação, depois do socorro aos desabrigados, é com o acesso às cidades. Dezenas de rodovias estaduais e federais foram destruídas e dificultam o acesso aos municípios.

Ajuda aos agricultores
Mais cedo nesta quarta-feira, o governo federal anunciou a prorrogação da ajuda aos agricultores atingidos pelas enchentes em Santa Catarina, no fim do ano passado, e concedeu benefícios aos produtores prejudicados pelas chuvas no Nordeste e pela seca em São Paulo, Mato Grosso e na região Sul.

No caso de Santa Catarina, o CMN (Conselho Monetário Nacional), vinculado ao Ministério da Fazenda, prorrogou o pagamento dos financiamentos sem seguro contraídos no sistema do Pronaf (programa de agricultura familiar), do Programa de Crédito Fundiário e do Proger Rural.

Para os outros Estados, o governo mudou as datas de vencimento das operações de crédito rural do Pronaf e ampliou o limite de financiamento da Linha Emergencial de Crédito de R$ 1.500 para até R$ 2.000 por beneficiário.

(* ) Colaborou Carlos Madeiro, especial para o UOL Notícias, em Maceió

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