Registro errado em cartório invalida centenas de certidões em cidade goiana

Sebastião Montalvão Especial para o UOL Notícias Em Goiânia

Irregularidades descobertas no único cartório da pequena cidade de Adelândia (147 km de Goiânia) resultaram em prejuízo para centenas dos cerca de 2.500 habitantes do município.

Parte dos registros de nascimento, certidões de casamento e registros de imóveis feitos no local nos últimos anos terão que ser refeitos. Isso porque os responsáveis pelo cartório teriam emitido os documentos, mas sem fazer o registro em livro, como manda a lei. Isso quer dizer que as certidões não têm qualquer validade. "Para mim foi uma grande surpresa. E agora não temos alternativa. Temos que fazer de novo", resigna-se a dona-de-casa Sandra Vieira da Silva.

Ela se casou em 1993 com Júnior Vieira, mas só agora descobriu que terá que fazer um novo documento para seu casamento se tornar válido. "Quando saiu a informação de que alguns documentos tinham problemas, fomos até o cartório para ver. Nosso nome estava numa lista na parede, junto com muitos outros", conta Sandra.

Não se sabe ao certo quando o problema começou. Nem ao menos quantas pessoas foram prejudicadas ou quantos documentos terão que ser refeitos. "Ainda estamos fazendo um levantamento. Mas não temos como divulgar números", disse a oficial Julieta Megda Fallone, nomeada em novembro do ano para comandar o cartório. "Estamos atendendo, na medida do possível, quem tem procurado o cartório", afirmou.

Antes de Julieta assumir o posto, nomeada pela Comarca de Sanclerlândia (que responde pelo município), o cartório era controlado pelo oficial Sebastião Gomes Vitória e seu filho, Alex Moreira. Os dois foram afastados pela Justiça e a informação divulgada é que nenhum dos dois reside mais no município. Eles não foram encontrados pela reportagem do UOL Notícias.

Segundo Julieta, o problema deve ser resolvido em breve. Porém, a população terá que arcar com as despesas de emissão de um novo documento. "Fica complicado. Não temos como não cobrar. Além disso, a população também não tem recibo do que foi pago", diz.

O impasse nos problemas de documentação é o assunto principal nas ruas da pacata cidade. Neusa Neves, por exemplo, está impedida de oficializar o seu segundo casamento porque os documentos que atestavam seu divórcio estão entre os não registrados. "São quatro anos de convivência e não podemos nos casar por conta dessa situação", afirma.

Os moradores não concordam com a exigência de um novo pagamento. "O erro não foi meu. Além disso, estamos muito incomodados com a situação. Somos vítimas e não é justo que tenhamos que pagar de novo", diz Sandra. Já Neusa prefere esperar um pouco antes de procurar o cartório para receber um novo documento. "Vou esperar até que tudo se resolva. Não pretendo pagar de novo por um serviço que já paguei", ressalta.

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