Amazonas tem segunda maior cheia da história; governador vê prejuízos de R$ 380 milhões

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), elevou as estimativas de prejuízos provocados pelas chuvas no Estado para cerca de R$ 380 milhões até julho, após 50 dias de deslizamentos de terra, cheias de rios e alagamentos que mantêm dez cidades da região debaixo da água. Neste fim de semana vários bairros de Manaus sofreram mais danos ainda, após o rio Negro ter a segunda maior cheia da sua história.

"Entre estrutura urbana e prejuízos das pessoas com casas, eletrodomésticos e agricultura, as perdas devem ter chegado perto dos R$ 380 milhões de reais", disse o governador em entrevista por telefone ao UOL Notícias.

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Em abril, primeiro mês de chuvas torrenciais da atual crise, o governador apontava perdas de R$ 50 milhões, mas até então não havia 55 cidades afetadas pelas águas e a capital Manaus sofria menos com a cheia do rio Negro, que circunda a cidade.

Nesta segunda-feira, o rio estava a quatro centímetros de igualar a maior cheia de sua história, datada de 1953, quando atingiu 29,69 metros, de acordo com a Defesa Civil municipal. Pelo menos 11 bairros na orla do rio Negro estão alagados, atingindo cerca de 18 mil pessoas na capital amazonense.

"Os grandes prejudicados até agora são os agricultores e, por isso, o Estado comprou sementes e vai refinanciar e alongar contratos de empréstimo que venceriam neste ano. É tudo emergencial, mas é necessário."

A Defesa Civil amazonense aponta dez municípios que estão inteira ou parcialmente submersos: Anamã, Anuri, Barreirinha, Caapiranga, Careiro da Várzea, Urucará, Parintins, Benjamin Constant, Itacoatiara e Manacapuru. Braga considera o caso da primeira cidade o mais dramático de todos no Estado.
  • EFE - 05.06.2007

    "Entre estrutura urbana e prejuízos das pessoas com casas, eletrodomésticos e agricultura, as perdas devem ter chegado perto dos R$ 380 milhões de reais", disse o governador do Amazonas


"Ali está tudo debaixo da água, da prefeitura à lixeira. São cerca de 20 mil pessoas que estão desabrigadas e estamos ajudando na medida do possível. Estamos fazendo coleta de lixo por meio de canoa, temos que fazer alojamentos em cima de balsas nessa cidade e em outros três municípios", afirmou.

"É água demais. Estamos construindo uma ponte de Manaus a Manacapuru e dos pilares, que têm mais de 70 metros, já fizemos um terço. Hoje você passa por eles e parece que têm 10 metros, tamanho é o impacto do volume de água", comparou ele, que viu menos dificuldades para o povo amazônico lidar com as cheias, já que "está acostumado com as águas". As chuvas afetam, em escala diferente neste momento, quase todos os Estados das regiões Norte e Nordeste.

Seca de 2005 foi pior
Apesar da cheia do rio Negro e do risco de contágio de doenças, como malária e leptospirose, o governador do Amazonas considera a seca de 2005 pior do que as enchentes deste ano.

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"É tudo doloroso e sofrido. Mas a seca de 2005 foi mais dramática. Na seca a água desaparece e é a água que alimenta os peixes. Mesmo assim conseguimos administrar e superar aquela crise. Como sou um homem que crê muito em Deus, certamente isso vai acontecer novamente", disse.

Na próxima sexta-feira, disse Braga, os governadores dos Estados da região Amazônica se reunirão em Tocantins para avaliar ações conjuntas e discutir os efeitos da crise gerada pelas cheias.

"Vamos trocar experiências e também buscaremos ser solidários uns com os outros. Agora estamos correndo cada um para resolver o próprio problema, mas nas fronteiras dos Estados as ações já são compartilhadas", afirmou, sem dar mais detalhes.

Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Braga diz que tem havido cooperação do Ministério da Saúde para enfrentar a crise e que em sua visita ao Palácio do Planalto na sexta-feira passada sentiu solidariedade do governo federal.

Essas são as cidades com mais área alagada no Estado

Anamã
Anuri
Barreirinha
Benjamin Constant
Caapiranga
Careiro da Várzea
Itacoatiara
Manacapuru
Parintins
Urucará

"O presidente Lula ficou muito preocupado e está avaliando visitar o Amazonas para ver como estão indo os trabalhos. Ele ordenou ao ministro (da Saúde, José Gomes) Temporão que envie técnicos para acompanhar a situação de perto", afirmou o peemedebista.

De acordo com Braga, as enchentes permitiram um novo pacto entre sociedade e governo para resolver os problemas que se amontoaram. "O Amazonas se fechou para passar pela crise. As empresas se juntaram, o governo se juntou à sociedade e estamos conseguindo passar. Já solidariedade vem da capacidade da mídia de contar o que estamos passando aqui. Se as pessoas não se emocionarem, não vão se solidarizar", afirmou.

Parintins
As chuvas não afetaram a ida de turistas para a festa do Boi-Bumbá em Parintins, a leste de Manaus, nesta semana. De acordo com a Secretaria da Cultura da cidade, 20 mil turistas devem chegar em 88 voos da Gol para o aeroporto da cidade. Outros 60 mil são esperados por outros meios de transporte, como barcos.

A rede hoteleira da cidade está ocupada e restam poucas vagas para turistas interessados em conhecer a cidade. "As partes alagadas estão mais distantes de onde ficam os visitantes. São poucos lugares que ainda têm vagas, a lotação promete ser completa", afirmou Doralice dos Santos, dona de uma pensão em Parintins.

"Não tem mais chuva no centro da cidade e na região do Bumbódromo. Já tem gente chegando e o sol aqui está de rachar", disse ela, que aluga suas últimas vagas para o festival que vai de quinta-feira a domingo por até R$ 900.

A festa do Boi, que teria surgido no Nordeste, faz parte do folclore de Parintins desde 1913 e é o maior evento turístico do Estado. Cerca de 35 mil pessoas assistem no Bumbódromo à disputa dos grupos dos bois Garantido e Caprichoso, regada a danças típicas e batuque.

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