Duas vítimas de acidente em baile funk ainda correm risco de morte no RS

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

O Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre (HPS) informou na tarde desta segunda-feira (22) que duas vítimas do desabamento de um prédio onde era realizado um baile funk, ocorrido na madrugada do último domingo, correm risco de morte. Anderson da Rosa Gomes, 16, e Deise Beatriz de Souza, 22, estão internados no setor de politraumatismos do HPS com lesões graves na cabeça.
  • Emílio Pedroso/Ag. RBS

    Foto mostra o buraco formado no Ginásio de Esportes Protásio Alves depois que o piso cedeu durante um baile funk no RS


Outras nove pessoas seguem internadas no hospital, mas sem gravidade. A idade das vítimas varia de 14 a 29 anos. Entre as 74 pessoas atendidas na madrugada de domingo no pronto socorro, havia pelo menos uma criança de oito anos, que sofreu ferimentos leves. Ela foi liberada nesta manhã. Outras 13 pessoas seguem internadas sem gravidade no Hospital Cristo Redentor, zona Norte de Porto Alegre.

Parte do segundo piso do prédio, situado na zona leste da capital gaúcha, desabou por volta das 2h do domingo. A Brigada Militar, que atendeu a ocorrência, ainda não sabe precisar quantas pessoas estavam no local na hora do acidente, mas estima que o número chegue a 700. Mais de cem pessoas foram levadas a três hospitais para atendimento de emergência.

A Secretaria de Indústria e Comércio de Porto Alegre informou que o local não tinha alvará para funcionar como boate. Entretanto, o produtor do evento, Cristian dos Santos, disse que tinha autorização do proprietário do prédio para realizar festas. A capacidade do local, segundo o produtor, era de 2.000 pessoas.

Santos disse que o ginásio era frequentemente alugado para bailes funk com o conhecimento do dono. Pelo menos três festas eram realizadas por semana no local. Nas quartas e sextas-feiras, os eventos recebiam menos público. No sábado, quando havia cobrança de ingresso, o local costumava receber cerca de mil pessoas.

"Nunca houve nenhuma restrição por parte do dono. Ele sabia", disse Santos. Além disso, o produtor dos bailes alega que a vizinhança nunca reclamou sobre a presença de público no local nem sobre o barulho. A advogada de Santos, Marilene Vencato, disse que todas as locações estão documentadas, inclusive com as autorizações municipais para a realização das festas.

Investigação
O edifício foi interditado nesta segunda-feira pela prefeitura de Porto Alegre. O secretário municipal de Obras, Maurício Dziedricki, espera o laudo pericial sobre as causas do acidente. Cerca de 40 m² do piso superior cederam devido ao peso, superior ao que a estrutura podia suportar. No andar térreo funciona uma agência dos Correios.

Um perito da Polícia Civil e um representante do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) vistoriaram o prédio nesta manhã, mas não apresentaram conclusões. A hipótese de tumulto provocado pela explosão de uma bomba foi descartada.

Segundo a delegada Sílvia de Souza, responsável pela investigação, parte da estrutura do prédio ainda corre risco de desabamento. O prédio, segundo o Crea, está há 16 anos sem obras.

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