"Não tem pânico", diz secretário de saúde de cidade em situação de emergência por gripe suína

Elisa Estronioli Do UOL Notícias Em São Paulo

A suspeita de que o vírus da influenza A (H1N1), conhecida como gripe suína, esteja circulando entre a população de São Gabriel (RS) levou a prefeitura do município gaúcho a decretar situação de emergência na segunda-feira (22). Todas as escolas tiveram as aulas suspensas. Também foi proibida a realização de festivais e shows, além de cultos e manifestações religiosas, como forma de evitar a aglomeração de pessoas em locais fechados, o que facilitaria a circulação do vírus.

Mesmo sem confirmação de casos, o município, de cerca de 60 mil habitantes, é o primeiro do país a adotar a medida. Por quê? O UOL Notícias entrevistou o secretário municipal de Saúde, Paulo Forgiarini, para entender as motivações.

O município gaúcho

  • Arte UOL

    Com população estimada em 59.454 habitantes (IBGE, 2008), São Gabriel fica a 320 km da capital do RS, Porto Alegre

UOL Notícias: O que levou a prefeitura de São Gabriel a decretar situação de emergência?
Paulo Forgiarini:
Tivemos um caso de uma menina de 14 anos, vinda de Buenos Aires, que chegando aqui apresentou sintomas de gripe. Ela está em estado grave, internada na UTI de Santa Maria (RS). Houve uma providência no sentido de acompanhamento de seus contatos, colegas de sala e pessoas que viajaram no mesmo ônibus. Começaram a aparecer casos de sintomas em muitos contatos, que fugiram da nossa posição de acompanhamento. Começamos a nos sentir impotentes para evitar a transmissão desse vírus, então entendemos, com as autoridades e a classe média, que o prefeito devia tomar alguma atitude para evitar a transmissão desse vírus.

UOL Notícias: Então, não há casos confirmados na cidade?
Forgiarini:
Não. O material ainda está em análise na Fundação Oswaldo Cruz. O resultado deveria ter chegado ontem, mas prometeram para hoje.

UOL Notícias: Há mais casos suspeitos em São Gabriel?
Forgiarini:
Estamos monitorando outros 17 casos, que estão em isolamento familiar. Alguns estão sendo tratados com medicamento fornecido pela secretaria estadual de Saúde. O que nos assusta é a evolução desse primeiro caso.

UOL Notícias: O que muda na vida da cidade com o decreto?
Forgiarini:
O decreto suspende todas as atividades que englobem aglomeração de pessoas em ambiente fechado, além do aconselhamento de uso de máscaras para pessoas que trabalham com atendimento ao público, como caixas de supermercado, bancários. Estamos sendo orientados por técnicos da secretaria estadual de Saúde, porque não existem protocolos definitivos, cada nova situação deve ser avaliada. Nós estamos vivenciando o que nenhum outro município vivenciou ainda.

UOL Notícias: São Gabriel adotou medidas especiais na rodoviária?
Forgiarini:
Não, porque os casos todos são do município, não tem ninguém de fora. Nossas medidas são mais genéricas, evitando aglomerados de pessoas. Ainda não tivemos as medidas de uma cidade em que está comprovada a doença.

Se aquele primeiro caso não tivesse evoluído dessa maneira (com internação na UTI), não teríamos tomado essa medida.

Paulo Forgiarini, secretário de Saúde de São Gabriel (RS)
UOL Notícias: No Brasil, há 240 casos confirmados da doença. Por que São Gabriel, mesmo sem confirmação, foi o primeiro município a decretar situação de emergência?
Forgiarini:
Temos 60 mil habitantes. Somos zona de fronteira, esse trânsito de pessoas deve ser avaliado, precisamos saber de que forma as autoridades sanitárias se comportarão. Estamos próximos de regiões com muitos casos, temos muita facilidade de ir ao Uruguai e à Argentina. Talvez por conta disso, todos os casos aqui apareceram em três quatro dias. Mas acredito que se aquele primeiro caso não tivesse evoluído dessa maneira (com internação na UTI), não teríamos tomado essa medida. Você sabe que em cidade pequena, em que todo mundo se conhece, isso angustia.

UOL Notícias: A população não entrou em pânico com a situação de emergência?
Forgiarini:
Felizmente não há pânico. Tentamos não negligenciar a situação, mas ao mesmo tempo, não causar pânico. A comunidade está inserida nesse contexto, apoiando as medidas, e mais que isso, cumprindo as medidas, procurando se proteger.

UOL Notícias: O município pretende pedir verbas ao Estado ou à União para conter a possível circulação do vírus?
Forgiarini:
Não é o propósito. Naturalmente que já contamos com o apoio técnico da secretaria de Estado e, por ser uma região de fronteira, podem haver medidas tomadas por autoridades nacionais, não sei como isso pode evoluir.

UOL Notícias: Caso seja confirmado o caso de gripe suína, quais serão as medidas?
Forgiarini:
Se for confirmado esse caso, medidas serão tomadas. Por exemplo, essa questão de fronteira, talvez com restrição de entrada e saída de pessoas do município. Mas isso também contempla as autoridades nacionais.

UOL Notícias: Caso seja descartada a possibilidade de gripe suína, o decreto será revogado?
Forgiarini:
Tem a possibilidade de ser revogado. Entendemos assim: temos um vírus e um caso grave. De que maneira isso será tratado se não for a gripe A? Vamos esperar o resultado do exame.

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