Rio que circunda Manaus fica a 2 centímetros da maior cheia na história

Amanda Mota
Da Agência Brasil
Em Manaus

Faltam apenas 2 centímetros para que o nível do Rio Negro, em Manaus, supere a marca registrada em 1953 - ano da maior cheia ocorrida na cidade. De ontem (22) para hoje (23), o rio subiu 2 centímetros, alcançando a marca dos 29,67 metros. Os dados são do Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

Governador do AM vê prejuízos de R$ 380 milhões

O governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), elevou as estimativas de prejuízos provocados pelas chuvas no Estado para cerca de R$ 380 milhões até julho, após 50 dias de deslizamentos de terra, cheias de rios e alagamentos que mantêm dez cidades da região debaixo da água


De acordo com os registros históricos do Serviço Geológico no Amazonas, as maiores médias no volume do Rio Negro foram registradas nos anos de 1953 (29,69 metros); 1976 (29,61 metros); e 1989 (29,42 metros).

Segundo o supervisor de Hidrologia do Serviço Geológico, Daniel Oliveira, uma equipe do órgão visitará, amanhã (24), a cidade de Manacapuru - a cerca de 80 quilômetros de Manaus - para fazer a medição do nível do rio Solimões.

As informações coletadas serão fundamentais para prever como ficará a situação da cheia em Manaus e nos municípios vizinhos. Apesar da alta do Rio Negro, a cidade teve sol forte e registrou altas temperaturas nos últimos três dias.

"Se o nível do Solimões já estiver diminuindo, o Negro irá também reduzir nos próximos dias. Isso porque o nível alto do rio Negro, em Manaus, não é resultado apenas das chuvas, mas também do próprio Solimões, que exerce uma função de represamento sobre o Negro, impedindo a vazante desse rio", explicou Daniel Oliveira.

As previsões do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) apontam chuvas para os próximos dias sobre a bacia do rio Negro e também em Manaus. Na capital, será uma ocorrência localizada. O chefe da Divisão de Meteorologia do Centro Regional do Sipam em Manaus, Ricardo Dallarosa, ressaltou a importância da relação entre os rios existentes no Amazonas para a compreensão da atual situação.

"É importante entender que, enquanto o rio Solimões, sobretudo, não começar a diminuir, o Negro continuará mantendo um alto nível, independentemente da ausência de chuvas sobre a própria bacia do rio Negro", destacou Dallarosa.

Em Manaus, onde mais de 16,6 mil pessoas foram atingidas pela cheia, a prefeitura e o governo estadual trabalham em conjunto na operação SOS Igarapé Limpo. A ação tem como objetivo a limpeza dos igarapés que, em determinados bairros da cidade, transbordaram em decorrência das intensas chuvas e do acúmulo de lixo.

O trabalho é realizado pela Defesa Civil, pelo Corpo de Bombeiros, por funcionários do serviço de limpeza pública da prefeitura e por integrantes das Forças Armadas.

As equipes tentam impedir a proliferação de doenças e problemas decorrentes dos resíduos acumulados debaixo das casas. Cerca de 647 toneladas de lixo já foram retiradas das bacias do Educandos e de São Raimundo - dois dos locais mais atingidos pela cheia deste ano.

A cidade tem 11 bairros atingidos, incluindo o centro da capital. Entre os pontos públicos alagados, estão a Ponta Negra, a Feira da Manaus Moderna e a alfândega. Dois abrigos públicos concentram 21 famílias desabrigadas. A maior parte das famílias não deixou suas casas já que a Defesa Civil distribuiu mais de 2.000 kits de marombas, tábuas de madeira colocadas no chão das casas onde os móveis ficam acima do nível da água.

Outra ação da Defesa Civil foi a construção de cerca de 10.000 metros de pontes de madeira em áreas que estão alagadas.

Os afetados pela cheia estão recebendo também os cartões SOS Enchente. Com o cartão, cada beneficiado pode sacar R$ 300 para ajuda neste período. Na primeira etapa de entregas, que começou no último dia 13, 4.709 cartões foram distribuídos na capital amazonense.

No último fim de semana, a Defesa Civil realizou novo levantamento para uma segunda etapa de entrega, que agora deve alcançar cerca de 4 mil famílias. De acordo com o secretário de governo, José Melo, em todo o estado, 63 mil famílias já foram beneficiadas com o cartão.

Segundo o governador do Amazonas, Eduardo Braga, os prejuízos causados pelas chuvas no Estado devem chegar a R$ 380 milhões, incluindo problemas como perda de pastos e plantações, alagamentos e deslizamentos de terra.

Braga estará em Brasília amanhã para discutir com o governo federal a operacionalização do plano emergencial de amparo às famílias atingidas pela cheia.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos