Anvisa reforça trabalho de barreira à gripe suína nas fronteiras; novo procedimento gera filas

Fabiana Uchinaka* Do UOL Notícias Em São Paulo

A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou nesta quarta-feira (24) que serão distribuídos até o final da semana cerca de 500 mil formulários de Declaração de Saúde do Viajante (DSV), em mais uma tentativa de barrar a entrada do vírus da influenza A (H1N1) - a gripe suína - no país.

Segundo o órgão, o monitoramento da chegada das pessoas que vêm do exterior já é feito por meio da DBA (Declaração de Bagagem Acompanhada) apresentada à Receita Federal, mas, a partir de agora, haverá também um acompanhamento especial da Anvisa para identificar possíveis casos suspeitos de contaminação da gripe.

Fila em Guarulhos
O acréscimo de mais uma etapa nos trâmites de entrada no país chegou a provocar filas durante os horários de pico no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

A Infraero informou que as filas são consequência de um controle mais rígido, que veio de uma recomendação do Ministério da Saúde, e que acontecem apenas em momentos de concentração de voos.

Para evitar que os passageiros se acumulem no posto da Anvisa dentro do aeroporto, a agência começou a distribuir os primeiros formulários às empresas aéreas que fazem rotas do Mercosul, para que as declarações sejam preenchidas ainda dentro do avião.

Segundo a assessoria de imprensa da Anvisa, a prioridade são os voos do Mercosul, que já começaram a adotar o procedimento. Posteriormente, todos as empresas que têm voos para o Brasil deverão fornecer o formulário, assim como acontece com o DBA.

Controle na Rodoviária do Tietê
A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, além disso, estuda a possibilidade de um acompanhamento dos passageiros que desembarcam no terminal rodoviário Tietê, o maior da América Latina, e que mantém linhas internacionais para a Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile.

Por enquanto, nenhum sistema de triagem está sendo realizado no local, segundo a empresa Socicam, que administra o terminal. O movimento mensal de usuários dessas linhas, tanto no embarque quanto no desembarque, alcança quase quatro mil passageiros em 223 ônibus.

Incidência "não é alarmante"
O infectologista Marcelo Nascimento Burattini, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirmou que as medidas preventivas contra a contaminação do vírus H1N1 devem ser seguidas, mas avalia que o número de casos "não é alarmante".

"O que diferencia [a gripe suína] da gripe normal é que neste caso o vírus apresentou uma cepa específica que não circulava e que ainda não têm imunidade", disse Burattini.

O problema maior, destacou, é quando ele atinge organismos já debilitados, como é o caso de pessoas transplantadas, idosos ou com alguma enfermidade que deixa o paciente mais suscetível a outra doença.

Como o vírus sempre tem uma propagação maior em períodos de temperaturas mais baixas, quando as pessoas têm uma tendência a ficar mais aglomeradas e em locais fechados, a expectativa é que aumente o número de casos.

Por isso, ele recomenda que se evite situações como essas, além dos cuidados de sempre manter as mãos higienizadas. Se surgirem sintomas como febre, dor de cabeça e dores pelo corpo, disse, a pessoa deve procurado um médico.

* Com informações da Agência Brasil

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