Minc comemora continuidade na queda do desmatamento, mas diz que a "guerra" começa agora

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Atualizado às 16h21

Ao comentar os dados do desmatamento na região da Amazônia Legal referentes ao mês de maio, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) comemorou a "manutenção da queda do desmatamento" e foi além, prevendo que, em 2009, o Brasil deverá ter um balanço positivo histórico sobre a questão. "Vamos ter o menor desmatamento dos últimos 20 anos", afirmou.

"A guerra é agora, nos próximos meses até agora, quando tem menos chuva e o pessoal desmata mais. No histórico dos últimos dez anos, os piores meses são os de seca", disse Minc. No entanto, o ministro fez uma ressalva em relação ao mês de julho do ano passado, quando a taxa de desmatamento ficou em 323 km2. "A gente vai ter dificuldade de baixar esse número de julho, porque julho do ano passado foi o melhor desde sempre", lembrou o ministério, creditando o resultado ao fim do crédito oficial para desmatadores.

O ministro comparou os números referentes aos cinco primeiros meses do ano passado com o mesmo período deste ano, para destacar a queda constante. Em janeiro de 2008, a taxa de desmatamento na Amazônia foi de 638 km2, enquanto o primeiro mês deste ano registrou 222 km2. No acumulado de 2009, são cerca de 542 km2 desmatados.

"A soma destes cinco meses é menor do que foi verificado em janeiro do ano passado. É metade do número de abril do ano passado (quando foram registrados 1.123 km2 de desmatamento). Não há comparação", ressaltou o ministro.

Em maio, o desmatamento da floresta foi de 123 km2, área equivalente a 16 mil campos de futebol. Os números foram divulgados na manhã desta quarta (24) pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com base no sistema Deter, que detecta o desmatamento em tempo real.

Desmatamento apontado pelo Inpe (em km2):

Mês 2008 2009
Janeiro 638 222
Fevereiro 724 143
Março 145 17,5
Abril 1.123 36,8
Maio 1.096 123

A cobertura de nuvens na região permitiu visualizar 38% da área. Nos meses anteriores, apenas 20% da floresta puderam ser observados. Isso fez com que o registro do desmatamento fosse baixo nos meses de março e abril: 17 km2 e 37 km2, respectivamente. Em fevereiro, a área desmatada ficou em 143 km2, o que totalizou 197 km2 de floresta desmatada no trimestre.

Para Minc, a alta cobertura de nuvens não pode ser apontada como explicação única para a queda verificada. "A cobertura de nuvens está maior este ano do que no ano passado, mas não está maior do que a queda do desmatamento. A cobertura de nuvens está longíssimo de explicar a queda no desmatamento".

O ministro voltou a creditar a queda às ações de combate ao desmatamento e aos acordos que vem sendo fechados com setores como agricultura e pecuária, que têm influência sobre a preservação da região. "Nós estamos fazendo pactos com o setor produtivo. A soja, por exemplo, parou de desmatar a Amazônia".

O ministério também apresentou o total de multas aplicadas por crimes ambientais este ano. De janeiro até maio, foram 1.102 multas lavradas, que totalizaram R$ 806,4 milhões. As multas foram aplicadas pelo Ibama em conjunto com a Polícia Federal.

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