Para diretor da ONU, defender legalização das drogas é cometer "erro histórico"

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

O diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), Antonio Maria Costa, considera que a legalização das drogas seria um "erro histórico". A declaração foi dada por ocasião do lançamento do Relatório Global sobre Drogas 2009, nesta quarta-feira (24).

"As drogas ilícitas representam um grande perigo à saúde. Por essa razão, as drogas são e devem permanecer controladas. A legalização não é uma varinha mágica que acabaria tanto com o crime organizado quanto com o abuso de drogas", disse o diretor da ONU.


Para ele, "a sociedade não deve ter de escolher entre priorizar a saúde pública ou a segurança pública: ela pode e deve optar por ambas".

Neste sentido, o relatório das Nações Unidas traz como recomendação aos governos: considerar as drogas como questão de saúde pública. "Quem usa drogas necessita de assistência médica, e não de uma sanção criminal", afirmou Costa. Tratar os dependentes, segundo ele, é a maneira mais efetiva de se reduzir o mercado consumidor.

O diretor também defende uma presença maior do Estado no atendimento às necessidades básicas da população. "Moradia, emprego, educação, acesso aos serviços públicos e ao lazer podem fazer com que as comunidades estejam menos vulneráveis às drogas e ao crime", afirmou.

Outro ponto destacado pelo relatório como arma de combate ao consumo de drogas é a adesão e o cumprimento dos tratados internacionais contra o crime organizado, além de uma maior eficiência na aplicação da lei.

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O Unodc recomenda que as operações policiais se concentrem em um número menor de criminosos com maior influência e volume de ação, deixando em segundo plano contraventores de menor potencial ofensivo. "Devemos ir atrás dos peixes grandes, não dos pequenos", avaliou Costa.

O relatório da ONU é feito com base em dados fornecidos pelos governos por meio de questionários enviados ao Unodc no ano passado. Os dados são complementados pelas Nações Unidas.

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