Para secretário, aprovar a proibição do cigarro e defender a legalização das drogas é "incoerência"

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

No lançamento do Relatório Global sobre Drogas 2009 das Nações Unidas, nesta quarta-feira (24), o secretário nacional de Políticas sobre Drogas traçou um paralelo entre drogas lícitas e ilícitas. Paulo Roberto Uchôa considerou uma "incoerência" a aprovação da proibição do cigarro enquanto se discute a legalização das drogas.


"No momento em que a comunidade científica mostra que a maconha é quatro vezes mais cancerígena do que o cigarro - além de afetar com muito mais intensidade o sistema nervoso central - a gente vê uma certa incoerência de a sociedade brasileira estar aceitando cada vez mais proibir o cigarro e ver de forma diferente a questão das drogas", disse, acrescentando que a cada dia, a sociedade "aplaude" as leis que proíbem o consumo de cigarro em locais públicos.

Ele destacou ainda que só se pode pensar em legalização se houver concordância de vários países sobre a questão. "A legalização unilateral é um perigo. Porque, obviamente, aqueles que são proibidos de consumir a droga em seu país vão utilizar naquele em que ela é legalizada. E o tráfico vai vender no país que legalizou. Os que estiverem interessados nisso precisam de uma mobilização internacional para que a discussão seja colocada no âmbito das Nações Unidas."

DADOS DO BRASIL SOBRE USUÁRIOS DE DROGAS JOVENS NA AMÉRICA DO SUL

Cocaína1º lugar
Anfetaminas2º, atrás da Colômbia
Maconha5º lugar, atrás de Chile, Uruguai, Colômbia e Argentina

Descentralização da política antidrogas
O secretário também defendeu uma descentralização da política antidrogas. Para ele, cada Estado e cada município deve ter sua própria política, para atender às necessidades específicas de sua população. Essas políticas estaduais e municipais ficariam subordinadas à política nacional.

Uchôa ressaltou a importância de políticas regionais principalmente para a capacitação de agentes da sociedade civil para o combate ao uso de entorpecentes. No caso do crack, por exemplo, cujo consumo tem aumentado no país, as informações sobre a droga têm tido destaque nos trabalhos de capacitação de lideranças.

Grupo de discussão

Falta empenho no combate ao consumo de drogas no Brasil?


"Só a polícia não resolve o problema. Se uma mãe ficar torcendo para que a polícia venha resolver o problema do filho dela, ela não vem. A polícia vai cumprir sua missão com o traficante. Com o filho, ela tem que participar. Só que não tem ideia de como fazer isso, então o município tem a obrigação de orientar aquela mãe", disse.

Além dos pais, o secretário defendeu a capacitação de professores, líderes comunitários e religiosos, sindicalistas e até mesmo empresários interessados em combater o problema.

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