Rio Negro sobe 2 centímetros por dia, e número de desabrigados deve crescer em Manaus

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O drama da enchente em Manaus ainda não atingiu a metade do total de famílias que a prefeitura do município calcula que terão de deixar suas casas até as próximas duas semanas. O nível do rio Negro sobe a uma média de 2 centímetros por dia. Nesta segunda-feira (29), o nível do rio estava 6 centímetros acima do que era o recorde histórico até antes da cheia deste ano, a maior já registrada na capital amazonense.
  • Rodrigo Baleia/AE

    Residência atingida pela cheia do rio Negro e do
    rio Solimões, em Iranduba, no Amazonas



Somente em Manaus, 4.127 famílias (um total de 16,6 mil pessoas) foram atingidas pelas cheias em 11 bairros, a maioria moradores da orla do rio Negro. Dessas, 73 famílias estão em abrigos. Até por volta do dia 10 de julho, a Defesa Civil do município estima que o total de famílias em abrigos deve passar de 350.

Apesar da previsão de piora da cheia, a Defesa Civil municipal diz que enfrenta resistência de muitos moradores da orla do rio, que, apesar de garantias que recebem da Prefeitura de Manaus, temem que, ao sair, percam suas casas e benefícios que recebem de programas de auxílio do governo.

Centro de Manaus também sofre com a cheia
O elevado nível do rio Negro também afeta a rotina de quem trabalha ou passa pelo centro da cidade. A principal avenida do centro de Manaus, a Eduardo Ribeiro, virou "um rio".

Desde a semana passada, a avenida está alagada e o nível da água continua subindo. A situação se torna ainda pior porque a água entra na rede de esgoto e, nas ruas, cresce o risco de se contrair doenças típicas nesses casos, como a hepatite e a leptospirose (a prefeitura, no entanto, afirma que os problemas de saúde ainda não ocorrem em grande número).

Outros logradouros públicos de Manaus também foram atingidos e afetam, direta ou indiretamente, a rotina da população. Na Feira Manaus Moderna (centro de abastecimento de alimentos, semelhante ao Ceasa, em São Paulo), por exemplo, os setores de carne e peixe foram atingidos pelas águas que transbordaram do rio e foram mudados de lugar no domingo (28), para uma rua mais distante do local onde ficava.

A praia da Ponta Negra, local muito visitado por turistas em Manaus, também está coberta pelas águas do rio. O igarapé do Mindu, um dos maiores igarapés da capital amazonense, também transbordou e as águas impediram o acesso ao shopping center Millenium.

Doenças
A preocupação da Secretaria Municipal da Saúde de Manaus com relação às doenças causadas pelas cheias vai começar para valer em duas semanas. A ocorrência de doenças como leptospirose e hepatite costuma ser muito maior depois da vazante (quando as águas do rio começam a baixar). Segundo a prefeitura, agentes estão trabalhando na conscientização da população para evitar o contato com a água da enchente.

Também depois da baixa das águas, a prefeitura deve investir a maior parte dos R$ 20 milhões de ajuda federal que recebeu para obras de infra-estrutura em áreas atingidas pela enchente.

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