Advogado de acusado de crimes em Matinhos (PR) diz que prisão foi precipitada

Guilherme Balza*
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Após Paulo Delci Unfried ter confessado que matou um universitário de 22 anos e baleou e abusou sexualmente de sua namorada de 23 anos, em Matinhos (PR), em 31 de janeiro, o advogado de defesa de Juarez Ferreira Pinto, 42, preso pelo crime, afirma que a Polícia Civil, o Ministério Público e o juiz do caso agiram de forma precipitada para dar uma resposta à sociedade.

Juarez foi preso após ser reconhecido por Monik Pergorari de Lima, vítima de estupro e namorada Osíris Del Corso, morto no crime. "A única prova que existia contra o Juarez é o reconhecimento da vítima. Os exames de sangue, sêmen, DNA e todas as provas técnicas não o incriminaram. A polícia se precipitou demais na ânsia de dar uma resposta à sociedade. Só que essa resposta foi errônea e totalmente mentirosa", diz o advogado Mário Lúcio Monteiro Filho.

Unfried foi preso no último dia 24 depois de invadir uma casa e violentar uma mulher em Matinhos (PR). Com ele foram encontrados um revólver calibre 38 e uma garrucha calibre 22. O criminoso mora perto do Morro do Boi, local do crime de janeiro, e tem vários antecedentes criminais.

Segundo o advogado, exame do Instituto de Criminalística (IC) do Paraná já confirmou que a arma apreendida com Unfried é a mesma utilizada no crime em Matinhos. A defesa de Juarez entrou com um pedido para revogação da prisão e aguarda o alvará de soltura do juiz da comarca para que seu cliente seja libertado.

"Buscamos de todas as maneiras provar que ele era inocente. Desde que ele foi preso mantivemos contato todas as semanas. Ele é portador do vírus HIV e de hepatite B e C e está muito debilitado física e psicologicamente", afirma Monteiro Filho.

No dia em que aconteceu o crime, Juarez estava a 27 km do local do Morro do Baú junto com várias testemunhas, de acordo com Monteiro Filho. "Ele foi considerado um monstro pela sociedade. Desde a primeira entrevista Juarez foi objetivo nas suas declarações em dizer que não tinha qualquer participação no crime. Ele sequer conhecia o local", diz.

Segundo Monteiro Filho, o delegado do caso, Luiz Alberto Cartaxo de Moura, a promotora, Carolina Dias Aidar de Oliveira, e o juiz, Rafael Luiz Brasileiro Kanayama, não deram importância aos argumentos da defesa de Juarez. Além disso, testemunhas que inocentaram o réu foram indiciadas por falso testemunho. Para o advogado, o fato de Juarez ser soropositivo e já ter respondido processo por tráfico de drogas influenciaram no julgamento.

O advogado disse que Juarez tem traços parecidos com o retrato falado do criminoso e que isso foi até motivo de brincadeiras no lugar onde ele trabalhava. Devido à semelhança, o irmão do Juarez, que é policial, o aconselhou a se apresentar na delegacia para evitar problemas possíveis, de acordo com Monteiro Filho.

Juarez, então, se apresentou espontaneamente à delegacia e foi orientado a voltar nos outros dias para fazer exames. Na terceira oportunidade que compareceu ao distrito policial, foi preso, segundo o advogado. "Foi tão inesperado que ele não soube o que fazer no momento da prisão. Não tinha nenhuma noção do que estava acontecendo".

Para Cartaxo, que coordena as investigações, o surgimento de um novo suspeito não prova a inocência de Juarez. "Eu li o depoimento dele, e achei um negócio muito furado. Porque é uma confissão que não dá um detalhe que sirva. Nós precisamos investigar com muita calma, muito critério", disse. "Essa nova realidade não mudou a nossa opinião por enquanto [de que Ferreira Pinto é culpado]", afirmou o delegado.

Vítima mantém acusação
Apesar da confissão de Unfried, Monik repetiu hoje que Juarez foi o autor do crime. Segundo ela, a pessoa que a feriu era calva no alto da cabeça, enquanto Unfried tem cabelo, ainda que baixos, e entradas na testa. "Não sei o que está acontecendo para ele assumir a culpa. É uma coisa que a polícia deve descobrir", disse.

O reconhecimento de Juarez feito pela jovem, primeiramente por meio de fotografia e, posteriormente, quando estava no hospital, é um dos principais argumentos da polícia para o indiciamento no inquérito. As conclusões foram acatadas pelo Ministério Público, que apresentou denúncia recebida pela Justiça. "Você imagina que eu ia reconhecer um cara que era inocente?", questionou Monik.

*Com informações da Agência Estado

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