Pediatras do DF suspendem por um dia consultas pagas por planos de saúde

Paula Laboissière
Da Agência Brasil
Em Brasília

Os pediatras que trabalham com planos de saúde no Distrito Federal suspendem hoje (1º) o atendimento pago por convênios - todas as consultas em hospitais particulares e em consultórios serão cobradas. De acordo com a Sociedade de Pediatria do Distrito Federal (SPDF), a paralisação funciona como uma tentativa de negociação com as empresas para o reajuste dos valores pagos aos profissionais.

Os pais ou responsáveis por crianças que recorrerem ao serviço nessa data terão que desembolsar R$ 90 por consulta - preço proposto pela SPDF aos planos de saúde durante as negociações. A previsão é de que o atendimento seja normalizado amanhã (2), mas a ameaça de rescisão de contratos já foi lançada. A partir de setembro, os profissionais podem cancelar em definitivo o atendimento por meio de convênio.

A SPDF alega que é cada vez maior o descredenciamento de pediatras que atendem por planos de saúde. A justificativa, segundo a associação, são os baixos valores repassados pelas empresas e também o não pagamento das consultas de retorno dos pacientes. A remuneração paga aos pediatras vai de R$ 24 a R$ 40 por consulta - descontados impostos e taxas hospitalares, a variação cai para R$ 12 e R$ 30.

"A data de hoje é um marco representativo e um aviso para as empresas. Dentro de 15 dias, se não houver uma solução para esse impasse, os pediatras rescindirão seus contratos e aí você terá um Distrito Federal sem atendimento de convênios", alertou o presidente da SPDF, Dennis Alexander Burns.

Em entrevista à Agência Brasil, ele avaliou que a situação de caos na pediatria não se limita ao Distrito Federal, mas que o cenário é o mesmo em todo o país - fechamento de unidades de atendimento infantil, redução de leitos de internação e esvaziamento de hospitais.

Burns negou, entretanto, que o problema seja a falta de profissionais na área. Segundo ele, a média de pediatras no Distrito Federal, por exemplo, é de 54 para cada 100 mil pessoas - bem acima do padrão estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de 20 para cada 100 mil habitantes "Não há falta de pediatras, há falta de vergonha por parte das empresas", disse.

A orientação da SPDF para quem precisar de atendimento pediátrico hoje é pedir uma nota fiscal ou um recibo da consulta e, posteriormente, cobrar o reembolso da empresa responsável pelo plano de saúde.

Os pediatras vão atender por meio de convênios apenas os casos de urgência e de emergência social - quando os pais ou responsáveis pela criança não têm condições de pagar pelo atendimento. O plano de saúde dos servidores do Senado é o único aceito nessa data - a entidade aceitou rever a remuneração paga aos profissionais e dobrou o preço repassado por consulta de R$ 50 para R$ 100.

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