Alagoas declara alerta para receber voo diário de Buenos Aires; população teme novos casos da gripe suína

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Dois dias após a Província de Buenos Aires decretar estado de emergência sanitária por conta da epidemia de gripe suína, o Estado de Alagoas começou a receber um voo diário da capital argentina, devido ao início das férias de julho. Ao contrário de outros anos, a chegada dos "hermanos" nesta época causa mais medo que alegria a boa parte do setor do turismo local, que alega não ter recebido informações das autoridades sobre a doença, sua prevenção e seus cuidados.

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  • Ezequiel Pontoriero/AP

    Médica segura amostras de pacientes suspeitos de contágio pela influenza A (H1N1), em Buenos Aires, Argentina. O novo ministro da Saúde da Argentina, Juan Manzur, tomou posse nesta quarta-feira e anunciou que o número de mortos pela gripe suína no país teve um grande aumento nos últimos cinco dias, passando de 26 para 43


O primeiro dos voos chegou ao aeroporto Zumbi dos Palmares, em Maceió, às 2 horas da manhã desta quinta-feira (2). Por ser o primeiro voo de linha internacional que a capital alagoana recebe desde a chegada da gripe suína ao país, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) reforçou a fiscalização no aeroporto. "Nós dobramos o número de fiscais no aeroporto com a transferência de servidores do Porto de Maceió. Agora, ficam sempre dois fiscais de plantão", contou a coordenadora de Vigilância Sanitária de portos e aeroportos da Anvisa em Alagoas, Nazaré Alves.

Nesta madrugada, apenas um passageiro argentino chegou a Maceió no voo. Sem uso de máscara e alegando não ter sintomas, o aposentado Luiz Alberto Cavotti disse que foi bem recebido e orientado por agentes da Anvisa. "Fui recebido pelos técnicos e fui orientado. Sem problemas", disse.

Já os passageiros brasileiros que pegaram o voo durante escala em Guarulhos reclamaram da falta de orientações nos aeroportos. "Não deram nenhuma informação, não fizeram nenhuma pergunta. Inclusive as pessoas da Anvisa aqui estão trabalhando sem máscara", denunciou o jornalista Marcus Bezerra, que pegou o voo em São Paulo. Já Vânia Gomes disse que não sabia que o voo que pegou em São Paulo era proveniente da Argentina. "Vou ficar atenta agora comigo e com os meus dois filhos", assegurou.

Segundo a Anvisa, o uso de máscara só vai existir quando houver casos suspeitos da doença.

Em Maceió, a orientação aos passageiros é feita por meio de um folder, entregue logo após a chegada de todos os vôos, com os telefones e locais para tratamento da doença.

A previsão dos hoteleiros é que o número de turistas argentinos cresça a partir desta sexta-feira (3), e a Secretaria de Estado da Saúde afirma que Alagoas está pronta para recebê-los. "Realizamos uma reunião com o setor do turismo e começamos a entregar material informativo como folders e cartazes aos hotéis e pousadas. Estamos em alerta máximo, pois iniciamos um período de alta temporada por conta das férias", informou Célia Torres, da Vigilância Sanitária Estadual.

Alagoanos reclamam de falta de informações
Mesmo as medidas preventivas e a precaução das autoridades em relação à doença são suficientes para afastar o medo de pessoas ligadas ao setor do turismo.

Uma das categorias que expressa preocupação é a de taxistas. Um profissional confidenciou ao UOL Notícias que alguns taxistas pretendem abdicar de transportar passageiros vindos da Argentina. "O turista estrangeiro é sempre o melhor, mas a gente está com medo de pegar essa gripe. Eu mesmo prefiro não ir ao aeroporto e perder um passageiro que me arriscar. Ninguém nos passou informação", garante o profissional, que não quis se identificar com medo de punição.

Zuleide Costa, representante de um dos locais que mais recebe turistas em Maceió, o Guerreiros do Artesanato (feira tradicional), no bairro histórico de Jaraguá, também afirma que nenhum órgão de vigilância sanitária procurou os artesãos que trabalham no local. "Ninguém nos procurou para dizer nada. As informações que temos são as dos noticiários. Das secretarias de Saúde, não recebemos nada", explicou.

Por conta da chegada dos turistas argentinos, ela explica que os artesãos estão atentos aos cuidados básicos para evitar o contágio. "Há uma preocupação, mas tentamos não ficar amedrontados. Sabemos que a Argentina é o país que mais tem casos por aqui, e se a gente percebe que o cliente é de lá, tem que ter um cuidado maior", conta a artesã, revelando ainda que, entre os estrangeiros, os argentinos estão entre os mais "econômicos". "Eles se encantam, mas não compram muito, só olham. O europeu é quem compra mais".

Para a coordenadora da Anvisa, não há motivo para medo da população por conta da presença de argentinos em Maceió. "Não vejo nenhum risco. Todos os casos são monitorados desde o aeroporto e, se houver manifestação da doença aqui dessas pessoas, elas são orientadas a buscarem um serviço de saúde", explica.

Já os hotéis de Alagoas também cobram mais informações e esperam uma nova reunião com a secretaria para esclarecimentos. "Tivemos um encontro já, mas a doença avançou e até a forma de tratamento também mudou. Já solicitamos uma nova reunião para obtermos mais informações e estamos aguardando", disse a diretora executiva da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira de Alagoas (ABIH-AL), Tereza Bandeira.

Sem a reunião esperada e a chegada dos voos, os hoteleiros trataram de capacitar os funcionários. "Os hoteleiros estão cientes da responsabilidade e nossos funcionários foram treinados para caso apareça algum caso. Aos primeiros sintomas, o paciente será encaminhado para o hospital responsável", explicou.

Cinco casos confirmados
De acordo com o último boletim do Ministério da Saúde, Alagoas tem cinco casos confirmados da gripe suína. Os dois últimos casos foram de brasileiros que visitaram recentemente a Argentina. Outros 10 aguardam resultados dos exames para confirmação.

No Brasil todo são 694 casos confirmados da doença desde 8 de maio.

O atendimento a pacientes com suspeita de gripe suína está sendo feito pelo Hospital Escola Hélvio Auto, com o suporte de outros quatro hospitais. A Secretaria colocou também à disposição um número gratuito para esclarecimentos. Quem quiser informações, deve ligar para o 0800-284-5415 ou mandar e-mail para notifica@saude.al.gov.br.

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