Amazonas recebe R$ 9,3 milhões do governo para combater mortalidade infantil

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou nesta quinta-feira (02) em Manaus que o seu ministério investirá R$ 9,3 milhões nos próximos 12 meses em ações para a redução da mortalidade infantil no Amazonas, o que representa 0,062% do orçamento que o Estado dispõe para área de saúde no Estado - de aproximadamente R$ 1,5 bilhão (R$ 1,1 bilhão do SUS e R$ 400 milhões do governo federal), segundo o governador Eduardo Braga (PMDB).

Apesar de considerar o montante ínfimo, se comparado ao orçamento do Estado para a saúde, o governador acredita que o Estado conseguirá reduzir a mortalidade de crianças menores de um ano em 5% em 2009, meta estabelecida no programa Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil do Ministério da Saúde. "Os recursos na área de saúde estão bastante escassos. Estamos vivendo um momento de queda de arrecadação, mas nossos esforços serão para atingirmos a meta", afirma Eduardo Braga.

No Brasil, o Amazonas ocupa 12º lugar no ranking de mortalidade infantil, com 25,9 óbitos por mil crianças nascidas vivas, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Alagoas possui o maior índice de mortalidade infantil (50 óbitos por mil nascidos vivos) e o Rio Grande do Sul o menor (13,5 óbitos por mil nascidos vivos).

O Amazonas registrou 11.878 óbitos infantis (crianças com menos de um ano de idade) entre 2000 e 2007. No ranking estadual, o maior número de mortes ocorreu nos municípios de Manaus (6.390), Parintins (399), Manacapuru (335), São Gabriel da Cachoeira (330) e Coari (294).

Além destas cidades, os investimentos serão realizados em Boca do Acre, Borba, Itacoatiara, Maués, Tabatinga, Tapauá e Tefé. "O grande problema da mortalidade, em especial no Amazonas, é a carência na rede básica para fazer uma melhoria no atendimento pré-natal", diz o governador.

Chuvas atrapalham combate à mortalidade
De acordo com Eduardo Braga, as chuvas que atingiram o Amazonas neste ano devem dificultar o combate à mortalidade infantil. "É um desafio a mais. O governo federal aplicou R$ 100 milhões para a recuperação de hospitais em Santa Catarina atingidos pelas enchentes. Nós pedimos R$ 40 milhões só para reestruturar as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) municipais", afirma.

Ainda segundo o governador, a mortalidade infantil é maior ainda entre a população indígena, que no Amazonas é muito numerosa. "Como podemos reduzir a mortalidade infantil entre os índios se não podemos ir às aldeias? Temos que construir uma relação com curandeiros, caciques e os órgãos federais [Funasa e Funai] para melhorar o diálogo com os índios de modo que possamos adotar políticas para prevenir a mortalidade", diz Braga.

O Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil foi traçado conforme os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, acordo assinado em 2000 por 191 países, que prevê a redução da mortalidade infantil em 75% até 2015, com base nos índices de 1990.

443.946 bebês mortos
O pacto, no Brasil, prevê investimentos de R$ 110 milhões em ações em 250 municípios do Nordeste e da Amazônia Legal. Entre 2000 e 2007, 443.946 crianças co menos de um ano de idade morreram no país. No Nordeste, foram 144.003 e na Amazônia Legal (que inclui o Maranhão), 76.916. Nas duas regiões, o número de óbitos somou 220.919 ou quase 50% do total nacional.

Em 2007, o Nordeste registrou 27,2 mortes por cada mil bebês nascidos vivos contra uma taxa de 75,8 óbitos por mil nascidos vivos em 1990. No Norte, a taxa foi de 21,7, em 2007, contra 45,9, em 1990. O Sul fechou 2007 com uma taxa de 12,9 mortes por cada mil crianças nascidas vivas e o Sudeste em 13,8.

O Brasil ocupa o 107º lugar no ranking mundial de mortalidade infantil da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que possui 194 países. Serra Leoa tem o pior índice, e a Suécia o melhor.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos