Em três semanas, percentual de casos da gripe suína contraídos dentro do Brasil cresce cinco vezes

Do UOL Notícias Em São Paulo e Brasília

Atualizado às 19h57

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou nesta sexta-feira (3), durante entrevista coletiva sobre a gripe suína, que o número de casos autóctones (aqueles transmitidos dentro do território nacional) aumentou de 6% para 30% em apenas três semanas no Brasil.

Segundo Temporão, a principal causa deste aumento é o grande número de pessoas viajando ao exterior. O ministro, entretanto, reiterou que não existe no país transmissão direta, ou seja, todos os casos têm vínculos epidemiológicos com o exterior.

"O quadro epidemiológico que o Brasil apresenta hoje não traz nenhuma evidência de que o vírus está circulando sem controle, ou de maneira sustentada, como se diz. Isso significa que todos os casos registrados até o momento no Brasil, ou foram importados - 70% deles - ou foram transmitidos aqui, mas com um vínculo epidemiológico forte", explicou o ministro.

Segundo Temporão, apenas quando os casos passam a ser diagnosticados em pessoas que não tiveram nenhum contato com alguém infectado ou que esteve no exterior é que se pode falar que há circulação do H1N1 no país. "À medida que esse vínculo epidemiológico se dilua e o vírus mostre características distintas, que evidencie a circulação do vírus no país, é uma outra realidade. Não a deste momento."

O Ministério da Saúde divulgou novos números da gripe nesta sexta. Mais 19 casos foram confirmados, elevando o total de pessoas contaminadas pelo vírus H1N1 para 756 no Brasil. De acordo com o ministério, a maior parte dos pacientes já recebeu alta ou está em recuperação. A única morte registrada no país continua sendo de um homem no Rio Grande do Sul.

Os Estados mais afetados são São Paulo (325 casos), Rio Grande do Sul (101), Minas Gerais (84) e Rio de Janeiro (83).

O ministro voltou a dizer que é esperado o aumento do número de casos no país devido principalmente ao inverno. Temporão comparou a influenza A (H1N1) com a gripe normal citando que a letalidade média é de apenas 0,4% e que a maioria dos casos tem sintomas leves.

Somente casos graves devem fazer exames
O ministério divulgou novas recomendações à população. São elas: ao sentir os sintomas, o paciente deve procurar o atendimento médico mais próximo. Se o quadro não é grave, o médico vai recomendar isolamento voluntário ou outras medidas cabíveis. Se o caso for grave, a pessoa deve ser encaminhada aos hospitais de referência. Nesse último caso, e somente neste, a confirmação deve ser feita por exames laboratoriais.

RS já monitora 3.000 casos potenciais, diz secretário

O secretário de Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, reconheceu nesta sexta-feira (3) que há mais de 3.000 pessoas sendo monitoradas no Estado como potenciais portadoras do vírus H1N1, que causa a gripe suína. Essas pessoas tiveram contato com algum dos 106 pacientes já infectados no RS, segundo o governo estadual


Temporão afirmou que o principal objetivo do governo atualmente é oferecer atendimento ágil para pacientes que apresentem os sintomas da doença para evitar assim novas mortes e a superlotação em hospitais.

"Começam a haver sinais de um tempo muito grande de espera, de muita gente demandando hospitais referenciais, que ficam sobrecarregados. E essa pessoa poderia estar sendo atendida de maneira muito mais rápida em uma unidade perto de sua casa ou no hospital particular, se tiver plano de saúde", disse Temporão.

O ministro defendeu as ações brasileiras no combate ao vírus H1N1. "A estratégia brasileira de tratamento dessa doença é um estrondoso sucesso. Basta olhar o quadro mundial: número de casos e de óbitos e ver o que está acontecendo até aqui. A estratégia de controle em portos e aeroportos tem dado muito resultado e continuará dando certo."

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