Conselho Nacional de Saúde visita Alagoas e vê "situação dramática"

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Alagoas

Depois de receber uma série de denúncias sobre a crise na saúde pública, o CNS (Conselho Nacional de Saúde) esteve em Alagoas esta semana para realizar uma fiscalização no Estado.

DEMORA NAS CIRURGIAS

  • Carlos Madeiro/UOL

    Paciente com sisto na boca mostra primeiros exames. Ele tem liminar para passar por cirurgia, que aguarda há quase um ano

  • Divulgação

    Maria Benedita iria retirar um tumor da mandíbula em junho, mas a prótese veio errada e a cirurgia teve que ser adiada



Mais do que problemas, segundo o presidente do CNS, Francisco Batista Júnior, a saúde em Alagoas passa por uma crise "muito grave". "O SUS enfrenta uma dificuldade muito grande em todo o país, mas entendemos que em Alagoas existem componentes que tornam a situação mais dramática", afirmou o presidente do CNS, citando a greve dos médicos e a suspensão das cirurgias.

Além de discutir com técnicos das secretarias de saúde estadual e dos municípios, o Conselho ainda fez vistorias nos principais hospitais da capital e apresentou os problemas ao Ministério Público. Nesta sexta-feira, último dia de visita, o CNS entregou um relatório ao governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) com os detalhes do que foi encontrado na rede estadual.

Entre as principais mudanças propostas pelo CNS estão a ampliação no número de leitos do SUS e o aumento das equipes do PSF (Programa de Saúde da Família) em Maceió - que hoje cobre apenas 27% da população. O relatório também cita a necessidade de reajuste aos trabalhadores da área. "Estamos colocando claramente que existem medidas imediatas que devem ser tomadas, como a contratação de profissionais onde há carência e a aplicação do plano de cargos e salários para os servidores. Existem medidas também em longo prazo, aí com a participação do governo federal, que seria para estruturar novos serviços e assim diminuir a dependência que existe do setor privado", disse o presidente do CNS.

O vice-presidente do Conselho Estadual de Saúde, José Wilton, admite que a situação encontrada no Estado é caótica e de difícil solução. "É difícil resolver em curto prazo. É preciso mobilização de poder público, em todas as esferas, para encontrarmos uma solução para atendermos à população carente. Temos problemas graves", afirmou.

Segundo ele, além de relatar a crise da saúde, o CNS solicitou uma auditoria completa do Ministério no setor da saúde estadual e do município de Maceió. "Precisamos de uma investigação na saúde inteira para saber o que precisa ser corrigido, e assim oferecer uma saúde digna ao alagoano", assegurou Wilton.

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