Vereadores encontram irregularidades em hospital onde foi negado atendimento a três grávidas no RJ

Thais Leitão
Da Agência Brasil
No Rio de Janeiro

Deficiência de recursos humanos, falta de equipamentos e desintegração da rede pública de saúde são os principais problemas apontados pelo presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, o médico Carlos Eduardo. Ele e outros vereadores fizeram uma vistoria na manhã de hoje (6) na maternidade do Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, zona sul do Rio.

Polícia ouve depoimento de médico suspeito de negar atendimento a grávidas

Um obstetra do hospital municipal Miguel Couto, na zona sul do Rio, poderá ser condenado a até oito anos de prisão por recusar atendimento a três grávidas em situação de emergência, na última quinta-feira (2). Segundo o chefe de investigação da 14ª DP (Leblon), inspetor André de Oliveira, o profissional terá que responder por homicídio culposo (sem intenção), caso seja confirmado que a morte de um dos bebês aconteceu devido à omissão de socorro


Na semana passada, um médico que fazia o plantão orientou três grávidas a buscarem atendimento em outra unidade e, ao dispensá-las, rabiscou em seus braços o nome do hospital que deveriam procurar e as linhas de ônibus que deveriam ser utilizadas para chegar até lá. Uma das pacientes, que apresentava um quadro grave de descolamento de placenta, acabou perdendo o bebê, no sétimo mês de gestação. O obstetra foi identificado e afastado pela Secretaria Municipal de Saúde.

De acordo com Carlos Eduardo durante a vistoria, a comissão verificou que o único aparelho para identificar casos de sofrimento fetal está quebrado desde fevereiro. Também faltariam na maternidade pelo menos seis enfermeiros e 18 técnicos em enfermagem. Ele cobrou otimização da gestão da saúde pública no Rio e disse que enviará, até a próxima quinta-feira, um relatório com a situação encontrada durante a vistoria ao Ministério Público Estadual e à Secretaria Municipal de Saúde.

"Quem atende gente é gente, não se pode deixar uma maternidade sem recursos humanos, com falta de equipamentos. Muito menos interditar 11 leitos sem um plano de contingência, incluindo para onde e como transferir as pacientes que procurarem a unidade, as que fizeram todo o pré-natal no mesmo local. É preciso otimizar a gestão da saúde pública no Rio e, principalmente, integrar a rede", afirmou.

A Secretaria Estadual de Saúde informou, por meio de nota, que o governo vem trabalhando para reduzir a taxa de mortalidade materna no Estado e que entre as ações desenvolvidas estão a criação do Comitê Estadual de Prevenção e Controle da Morte Materna e Pré-Natal, além da capacitação de obstetras de postos de saúde e das maternidades para atender mulheres com gravidez de alto risco.

Ontem (5), o prefeito do Rio, Eduardo Paes, afirmou que não há crise no sistema público de saúde do município que justifique a omissão de um dos plantonistas do Hospital Municipal Miguel Couto. Paes classificou a atitude como desrespeitosa e prometeu uma apuração rigorosa dos fatos.

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