AGU vai pedir que Justiça ouça major Curió sobre guerrilha no Araguaia

Luciana Lima
Da Agência Brasil
Em Brasília

  • Reprodução

    José Genoino, em 1972, preso pelo Exército no Araguaia

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    Os corpos de João Carlos Haas, o dr. Juca, e de outro guerrilheiro são observados pelo sargento José Antônio de Souza Perez (portador dos negativos das fotos) em 1972. Eles foram encontrados em uma área próxima às margens do rio Araguaia

  • Alan Marques/Folha Imagem - 05.mar.2004

    O ex-guerrilheiro Zezinho do Araguaia segura cartucho de fuzil achado em área de busca aos corpos desaparecidos


O major Sebastião Curió Rodrigues de Moura que, em recente entrevista, apresentou documentos e disse que o Exército executou 41 pessoas durante a Guerrilha do Araguaia, poderá ser chamado para depor na Justiça. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, pediu que a Advocacia-Geral da União (AGU) solicite à 1ª Vara da Justiça Federal no Distrito Federal para tomar o depoimento do major.

"Eu tinha duas alternativas: convidar o major Curió para ir ao Ministério da Defesa e conseguir informações ou solicitar que a AGU pedisse a audiência dele em juízo. A AGU está providAGU vai pedir que Justiça ouça major Curió sobre guerrilha no Araguaiaenciando requerimento à juíza da execução para tomar o depoimento do major Curió. Se, no depoimento, ele fizer referência aos documentos, ela solicitará esses documentos", disse o ministro, em audiência pública hoje (9) na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

A entrevista do major Curió foi concedida ao jornal "O Estado de S. Paulo". Depois disso, ele não atendeu ao convite da Comissão de Direitos Humanos da Câmara para falar sobre o assunto em audiência pública.

Jobim disse ainda que outros militares que atuaram na época da guerrilha já se mostraram dispostos a falar e que eles também poderão ser chamados encaminhados para depoimento em juízo.

Atualmente, o Ministério da Defesa comanda uma ação no Araguaia com o objetivo de cumprir uma sentença na qual a União foi condenada a realizar, em 120 dias, as buscas dos corpos e do que realmente ocorreu no Araguaia.

A primeira fase, que foi a criação do grupo, já foi concluída. A segunda fase, que é de levantamento de informações, está sendo realizada nos locais levantados. Hoje, o grupo se encontra na cidade de Marabá, no Pará, onde faz o reconhecimento de pontos nas proximidades do município.

No sábado (11), a equipe seguirá para São Domingos do Araguaia onde permanecerá até a próxima quarta-feira (15). Até o final do mês, os técnicos ainda pretendem levantar informações em São Geraldo do Araguaia e Xambioá, município em cujo cemitério já foram resgatadas 12 ossadas. Duas dessas ossadas já foram identificadas como pertencentes a guerrilheiros.

Passada essa fase de levantamento, em meados de agosto o grupo dará início às escavações com o objetivo de procurar ossadas de desaparecidos da guerrilha. O ministério espera dar início à quarta e última fase em novembro. Essa fase será dedicada a análises laboratoriais para identificação das ossadas encontradas.

Organizada pelo PCdoB na década de 70, a Guerrilha do Araguaia foi uma série de ações de resistência ao regime militar ocorridas em localidades próximas ao rio Araguaia, na divisa entre os atuais Estados do Pará, Maranhão e Tocantins (então, ainda parte do Estado de Goiás). Pelo menos 58 militantes do partido desapareceram e seus corpos nunca foram localizados.

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