UOL visita córregos anunciados como despoluídos em SP e encontra sujeira

Rodrigo Bertolotto
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Ratos, cobras, sacolas plásticas, água turva, espuma de sabão, forte odor e cavalos pastando. Esses são alguns dos componentes à beira dos córregos Nascente do Sapé e Caxingui, locais ditos como já despoluídos pela Prefeitura e pelo governo de São Paulo.
 



"Peixe aqui, só se cair da sacola de alguém que está vindo da feira. O que aparece é cachorro morto e até um homem apareceu o outro dia", afirma Ednalva Sales em cima da ponte que liga sua casa com a outra margem do córrego Nascente do Sapé, na região do Rio Pequeno, zona oeste de São Paulo.

Na beira, três cavalos pastam e uma placa anuncia a venda de esterco por um vizinho. Dentro do leito, garrafas plásticas e um ventilador. "Quando chove forte vem sofá e todo tipo de móvel. E tem gente que joga até geladeira velha", diz Ednalva, apontando a favela que faz o riacho se esconder abaixo dos barracos.

Já no córrego Caxingui, cravado em área próxima ao bairro nobre do Morumbi, a espuma de sabão cobre por vezes a água. "Dia sim dia não tem espuma nele. Dá para ver os peixinhos desviando do sabão", afirma o vigia José Cabral de Melo.

Ele abre os braços para mostrar a proporção da cobra que matou perto de sua guarita à beira da água. A reportagem do UOL viu também ratos na redondeza. "A prefeitura veio aqui e capinou um pouco a área. Foi só isso", resume o trabalho na área o segurança que trabalha ali diariamente há dois anos.

No dia 24 de março, Gilberto Kassab e José Serra anunciaram que 42 cursos d?água paulistanos foram despoluídos, como resultado da primeira fase do programa "Córrego Limpo", parceria entre município e Estado. Nesta semana, a Sabesp lançou a segunda etapa, que promete mais 60 córregos, como parte do projeto de limpeza dos principais rios da capital, o Pinheiros e o Tietê, onde as águas dos mais de 300 córregos vão parar.
 

NO VENTILADOR

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Placa anuncia venda de esterco...

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    ...perto de riacho da zona oeste...

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    ...com direito a ventilador no leito

O material de divulgação da Prefeitura dividiu os córregos já incluídos em duas categorias: 28 estariam totalmente despoluídos e 14 com seus principais trechos recuperados.

Após a reportagem do UOL ir aos locais, ela pediu esclarecimentos sobre as ações nos dois rios. A prefeitura afirmou que o Nascente do Sapé e o Caxingui estariam na categoria "parcialmente recuperados".

Por meio de sua assessoria, a Sabesp afirmou que fez serviços de desobstruções, lavagens, filmagem e manutenções de redes coletoras para evitar que o esgoto caísse no córrego Caxingui.

Já a Subprefeitura do Butantã realizou a limpeza periódica do leito e das margens do córrego, capinando o mato e multou os imóveis com esgoto irregular.

Segundo a Sabesp, o indicador de poluição do curso de água, conhecido como Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), caiu de 95 miligramas por litro para 7 mg/l, o que o qualifica tecnicamente como despoluído.

Já no Nascente do Sapé, a redução teria sido de 115 miligramas por litros para cerca de 30 mg/l. A empresa de águas prometeu fazer novas medições na próxima semana para verificar se a poluição aumentou nos dois locais.

Por seu lado, a Prefeitura paulistana, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que parte da dificuldade de despoluir é conscientizar a população a não jogar dejetos nos córregos. Em outros casos, só mesmo a remoção de famílias das laterais dos riachos manterá os cursos limpos.

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