Filho é acusado de matar os pais depois de exigir dinheiro para comprar drogas

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Impressionou aos policiais da 1ª CP, no bairro dos Barris, em Salvador, o grau de violência com que foi assassinado o casal Diógenes Bispos de Jesus, 59, e Solange Bispos de Jesus, 41, na noite da quarta-feira (8).

O filho deles, Diogo Bispo de Jesus, 23, preso na noite deste domingo (12), é o principal suspeito. Os dois foram mortos com várias facadas e Solange chegou a ser degolada. O delegado acredita que o crime tenha sido cometido após uma forte discussão com o filho, ouvida pela vizinhança. O rapaz exigia dinheiro dos pais para comprar drogas.

Os corpos ficaram escondidos em casa por pouco mais de três dias, período em que Diogo manteve a rotina e, segundo a polícia, conviveu normalmente com a cena macabra. O duplo assassinato somente foi descoberto porque os vizinhos desconfiaram do desaparecimento do casal e passaram a sentir um forte mau cheiro que exalava da casa, no bairro da Barroquinha, no Centro Histórico de Salvador.

O proprietário do imóvel, alugado para a família, Edvaldo Souza da Silva, que mora nas proximidades, resolveu arrombar a porta da casa, na noite de sábado e se deparou com o quadro. Os corpos já estavam em adiantado estado de decomposição.

Segundo relatou o delegado Omar Leal, titular da 1ª CP, que apura o caso, os corpos foram colocados sobre a cama de um beliche, cobertos com cobertores e papelão. Os vários ferimentos estavam cheios de sabão em pó e detergente, para amenizar mau cheiro e evitar que chamasse a atenção. Os ductos de ventilação do quarto também foram vedados.

No sábado à noite, os vizinhos chamaram a polícia, que providenciou a remoção dos corpos.

Diogo só foi preso na noite de domingo (12) ao chegar em casa. O fato de a porta estar aberta e a ausência dos corpos, que já se encontravam no Instituto Médico Legal (IML), não intimidaram o rapaz. Mais uma vez os vizinhos se encarregaram de avisar a polícia.

O delegado afirma que Diogo se mantém calado, não confessa nem nega a autoria do crime.

"Mas, diante das evidências, ele não tem como negar. Durante todos os dias que se seguiram ao crime ele foi visto entrando e saindo da casa", diz o delegado.

Segundo testemunhas, Solange teria contado que o filho é viciado em drogas desde os 14 anos, e que não sabia mais o que fazer para conter a agressividade do filho, que além de usar maconha e crack, vivia endividado em lojas de jogos eletrônicos. Ele levava o dinheiro dos pais e furtava objetos de dentro de casa, para vender e sustentar os vícios.
As brigas e as agressões físicas aos pais eram rotineiras. Na noite do crime os vizinhos ouviram o pai gritando, pedindo clemência ao filho e afirmando que ele poderia levar o todo o dinheiro, mas lhe poupasse a vida. A partir de então, a única movimentação avistada na casa era a de entrada e saída do rapaz.

Edvaldo contou à polícia que na tarde de sábado encontrou Diogo carregando um botijão de gás. Inquieto, perguntou-lhe sobre os pais e ele teria respondido que estavam viajando.

Os pais de Diogo vendiam lanches na praça da Piedade, centro da capital baiana.

O acusado tem duas passagem pela polícia por agredir pessoas no Carnaval de 2005 e por porte de droga.

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