Mutirões contra a dengue voltam a Salvador; capital tem o maior registro de dengue hemorrágica no país

Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Agentes de combate à dengue voltaram às ruas de Salvador nesta quarta-feira (15) para retomar os mutirões que visam conter o avanço da doença, que aumentou este ano na Bahia, alcançando índices de epidemia.

Dengue acompanhou salto populacional no mundo

As três variedades do vírus tipo 3 da dengue, o mais agressivo, começaram a circular pelo mundo entre 1967 e 1975. Quase no mesmo período, entre 1960 e 1975, a população mundial havia saltado de 3 bilhões para 4 bilhões de pessoas. O levantamento inédito feito pelo Instituto Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, escancara a forte relação que existe entre vírus virulentos e a maior mobilização de pessoas entre cidades, países e continentes


Conforme dados do Ministério da Saúde, a Bahia é o Estado onde ocorreu o maior número de registros de dengue em 2009, alcançando quase 26% do total de casos no país. Salvador é a cidade com o maior número de registros do tipo mais grave da doença, a dengue hemorrágica: são 306.

Somente este ano, 56 pessoas já morreram por causa da doença em todo o Estado, quatro na capital baiana. O maior número de mortes, entretanto, está em Itabuna (8), Jequié (8) e Porto Seguro (5). Outros 26 municípios também registraram mortes.

Os mutirões reiniciados hoje na capital estão concentrados no distrito da Liberdade - que abrange também os bairros de Iapi e Retiro -, onde o índice de infestação é de 3%. Nos últimos meses a prefeitura conseguiu reduzir esse índice, que estava em 3,8%, mas ainda assim ele encontra-se longe do considerável satisfatório pelo Ministério da Saúde, que é inferior a 1%.

Também serão visitados os distritos de Pau da Lima, São Caetano, Subúrbio, Cabula e Itapuã. As ações, que incluem limpeza das ruas e terrenos baldios, além de visita a casas e distribuição de folhetos, seguem até o dia 6 de agosto.

Notificações
O número de notificações de dengue na Bahia, até este mês de julho, chegou a 92.420, superando os registros de todo o ano de 2002, quando o Estado tinha apresentado o maior número de ocorrências: 87 mil casos. Em 2008, foram 31.132 registros.

Apenas nos últimos 60 dias, houve um aumento de 57% nas notificações da doença, alcançando 33 mil novos registros. Em Minas Gerais, por exemplo, Estado que ocupa a segunda posição no ranking, foram 19 mil novas notificações no mesmo período. Outros Estados onde a infestação aumentou este ano foram: Roraima, Acre, Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Eles representam 56% do total de casos de dengue no país.

Na Bahia, o maior número de registros localiza-se nos municípios de Itabuna (5.969), Jequié (6.916), Ilhéus (1.626), Feira de Santana (859) e Salvador (160). A coordenadoria de vigilância epidemiológica do Estado admite que o quadro crítico decorre de problemas no combate ao mosquito transmissor no ano passado.

Combate
A coordenadora do Programa Municipal de Combate à Dengue, em Salvador, Eliaci Costa, diz que os mutirões que recomeçam hoje são parte de um programa contínuo da cidade. Segundo Costa, desde o ano passado esse trabalho vem ocorrendo de forma sistematizada, seguindo os indicativos apontados pelo Levantamento de Índice Rápido para o Aedes Aegypti (LIRA), medido a cada dois meses.

"Esse levantamento aponta as áreas de maior infestação do vetor e o tipo de criadouro predominante. Direcionamos os trabalhos para aquelas localidades", diz. A coordenadora observa ainda que há casos de reincidência em alguns distritos, como o de Cabula, considerado um dos mais problemáticos e onde o mutirão deverá retornar no próximo mês.

"Começamos os mutirões no bairro da Mata Escura, que está inserido no distrito Cabula. Percorremos cerca de 40 ruas e retiramos mais de 20 toneladas de lixo. Recentemente, constatamos que o local voltou a ter problemas de infestação. Fazemos a nossa parte, mas a população também precisa colaborar" diz Costa, ressaltando que os reservatórios de água descobertos e o lixo acumulado respondem por 64% das infestações na capital baiana.

Em recente visita à Bahia, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, atribuiu parte da responsabilidade do aumento da doença no Estado à falta de continuidade nas políticas públicas municipais.

Viúva há sete meses, a aposentada Maria Eline do Monte Souza, 62, visitada pelos agentes, herdou do marido o cuidado com as plantas que ocupam a varanda do sobrado onde mora. "Não deixo água parada nos pratos dos vasos. A água é apenas para umedecer a areia. Também estou atenta aos depósitos de água da casa, que estão todos bem tampados, mas a prefeitura poderia tirar o ponto de lixo que a comunidade criou ao lado de minha casa. Além do incômodo, acaba atraindo bichos", diz.

O boletim epidemiológico semanal divulgado na última segunda-feira (13) pela Secretaria Estadual de Saúde mostrou um indicativo de queda nas ocorrências da doença.

Entretanto, o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, José Tavares Neto, ressalta a necessidade de ações continuadas no combate à doença, sob o risco de o problema recrudescer. "É preciso que o setor público trate o problema como prioridade", afirma.

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