Superintendente admite uso de estagiários em delegacias de polícia de Curitiba

Marcus Vinicius Gomes
Especial para o UOL (PR)
Em Curitiba

Um superintendente da Polícia Civil admitiu nesta quinta-feira (16) ao UOL Notícias a utilização de estagiários nas delegacias de Curitiba para preenchimento de boletins de ocorrência (BOs), tarefa que caberia apenas a escrivães. A afirmação contradiz a Secretaria de Segurança Pública do Estado.

O policial, que por medo de retaliação preferiu não se identificar, trabalha em uma das principais delegacias da capital paranaense.

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No início da semana, o jornal "Gazeta do Povo" noticiou o uso de estagiários em delegacias da cidade e citou como exemplo a estudante Evelin Mattoso dos Reis, 18, que cumpre expediente de seis horas na Delegacia de Furtos e Roubos. Ela confirmou que, em seis meses de trabalho, já preencheu "uns 2.000" boletins de ocorrência.

O superintendente nega que os estagiários sejam utilizados em funções cartoriais, como a montagem de inquéritos e depoimentos, conforme o jornal noticiou. Ele diz que o trabalho se limita ao preenchimento de BOs e ao atendimento de telefonemas.

"Os estagiários são recrutados nas escolas de ensino médio e nas faculdades, preferencialmente nas de Direito. Quando chegam às delegacias passam por uma fase de treinamento antes de assumir a função", afirmou o superintendente.

Defesa da classe
As entidades de classe da polícia são contra o uso de estagiários nas delegacias. Segundo dados fornecidos pelo governo do Estado, há 5.400 estagiários trabalhando nas repartições públicas do Paraná. Destes, 430 estão na área de Segurança Pública e vários estão lotados em delegacias. O salário deles gira em torno de R$ 520 mensais.

O policial negou que os estagiários estejam assumindo a condição de escrivães ad hoc - termo em latim que significa substituto eventual. "Só na Delegacia de Furtos e Roubos, onde Evelin trabalha, há oito escrivães. Não há, portanto, necessidade de substitutos", disse.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina (Sindipol), Ademilson Antônio Alves Batista, afirmou ser contrário ao uso de estagiários em delegacias e disse que a medida tem por objetivo diminuir o custo da segurança pública no Estado. "Um estagiário não tem preparo para montar um inquérito nem preencher um Boletim de Ocorrência", afirmou.

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná afirma que o recrutamento de estagiários preenche as normas da lei e que nenhum deles cumpre tarefas que não condizem com a sua função.

A expectativa da secretaria é de que até o fim do ano 800 policiais civis sejam contratados para reforçar as delegacias em todo o Estado.

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