Vacina deverá ser usada em uma eventual segunda onda da gripe, diz secretário

Claudia Andrade Do UOL Notícias Em Brasília

A vacina para a gripe suína, que ainda não existe, deverá ser usada apenas em uma eventual segunda onda da doença no mundo. E a vacina não deve ser barata. Foi o que afirmou na quinta-feira (16) o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães.

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O Instituto Butantan, de São Paulo, ainda não recebeu da Organização Mundial de Saúde (OMS) a fórmula da vacina contra a gripe suína, prevista para ser enviada no início do mês, o que torna inviável a produção no país do imunizante contra o vírus da gripe A (H1N1) ainda este ano, de acordo com a assessoria da instituição


"A vacina é um assunto que está sendo posto em uma estratégia mundial de combate a uma eventual segunda onda porque não existe vacina ainda pronta para o H1N1", disse o secretário, em entrevista concedida ontem. "Não há ainda preço colocado para esta vacina, mas não será uma vacina barata, isso eu posso garantir".

Guimarães disse que o Ministério da Saúde já tem entrado em contato com os principais fabricantes mundiais e recebido propostas sobre a aquisição de vacinas. "Mas, repito, esse não é um assunto para agora, é pra daqui a pouco".

Segundo o secretário, quando começar a produzir a vacina para a gripe suína, o Instituto Butantan, de São Paulo, poderá deixar de produzir a vacina para a gripe comum sazonal para se dedicar inteiramente à produção da vacina para a gripe A. Neste caso, o governo compraria a primeira vacina de outros países para a campanha de vacinação do ano que vem.

Guimarães aponta dois problemas que os laboratórios mundiais estão enfrentando no desenvolvimento da vacina para a nova gripe. "Um deles é que as fábricas estão com sua capacidade instalada 100% voltadas para a produção, mas, provavelmente, não haverá vacina para todo mundo. Além disso, os fabricantes estão observando que o rendimento da produção, ou seja, a quantidade que sai de cada 'semente' do vírus, está abaixo do que é observado tradicionalmente para a vacina sazonal. Isso influi no prazo de desenvolvimento".

O secretário mencionou dois cenários da vacina para a gripe suína no mundo: no hemisfério norte, que terá muita vacina disponível, e nos países do hemisfério sul, que terão pouca ou nenhuma vacina. "Nós temos um diferencial no hemisfério sul que se chama Instituto Butantan. Ele será capaz de nos colocar em uma terceira posição, de um país em desenvolvimento capaz de produzir a vacina".

Guimarães lembrou, no entanto, que ainda não se sabe se o vírus da nova gripe sofre mutação, o que comprometeria a eficácia da vacina.

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