Defensoria abre processo administrativo por considerar medidas contra gripe suína inadequadas

Nielmar de Oliveira Da Agência Brasil No Rio de Janeiro

A Defensoria Pública da União abriu um procedimento administrativo para apurar as medidas de combate à gripe suína que estão sendo adotadas pelos governos das três esferas - estadual, federal e municipal - e que vem sendo consideradas inadequadas para fazer face à gravidade do problema.

Total de mortes sobe para 22

O governo do Paraná confirmou na noite desta terça-feira a primeira morte por gripe suína --como é chamada a gripe A (H1N1)-- no Estado. Também na noite de hoje, a Secretaria Municipal de Saúde de Osasco (Grande São Paulo) confirmou a terceira morte na cidade em decorrência da doença. Com isso, sobe para 22 o número de mortos no país, desde 28/06


As informações foram dadas à Agência Brasil pelo defensor público, André Ordacgy. Segundo ele, até amanhã (22), a Defensoria Pública vai enviar ofícios para os governos, exigindo a adoção das medidas necessárias para um melhor atendimento à população e o aumento da quantidade de medicamentos.

Caso as determinações não sejam cumpridas - e não haja progressos que levem à apresentação de uma solução administrativa, portanto extrajudicial, em favor da população - o órgão vai ajuizar uma ação civil pública na Justiça Federal.

"Caso isso não ocorra, não haverá outra alternativa se não a do ajuizamento de uma ação civil pública. Nós temos grandes esperanças de que se encontre uma solução administrativa para o problema, porque não é desejo de ninguém que pessoas venham a ser vitimadas, até mesmo de forma fatal pela gripe suína".

Segundo Ordacgy, as autoridades deveriam aplicar a experiência que se teve com a epidemia de dengue que, no passado, no Rio, deixou milhares de infectados.

"Estamos percebendo a mesma e completa desorganização no sistema de atendimento da população, que tem corrido para as emergências dos hospitais públicos, que, por sua vez, as encaminham para as UPAS, caracterizando um jogo de empurra, onde até mesmo as salas de emergência refletem esta desorganização. Ao juntar numa mesma área o cidadão com o pé quebrado, o paciente com catapora ou com cachumba e a gripe suína, facilita a contaminação generalizada", disse.

Ordacgy manifestou preocupação com relação à estocagem, por parte do governo, do antiviral necessário ao combate à gripe suína. "Nos preocupa, sim, esta questão da estocagem dos medicamentos, onde hoje o cidadão não encontra o antiviral nas farmácias para combater a gripe suína, porque o governo brasileiro, por meio do Ministério da Saúde, comprou todo o estoque dos fabricantes, estoque este insuficiente para se combater uma epidemia."

Segundo ele, "há necessidade de o Ministério da Saúde adquirir uma maior quantidade de estoque do antiviral necessário ao combate da gripe e não se tem visto qualquer movimentação do governo neste sentido".

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