Governo reunirá em agosto especialistas para discutir combate à gripe suína

Mylena Fiori Enviada especial da Agência Brasil Em Assunção (Paraguai)

Especialistas na área de saúde vão se reunir, no dia 3 de agosto, em Brasília, para discutir o combate à influenza A (H1N1) - gripe suína - que a cada dia registra novos casos no país. A informação foi dada hoje (23), na capital paraguaia, pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que participa de encontro com ministros do Mercosul.

"O governo quer ouvir o que os especialistas têm a dizer sobre a nova doença, suas estratégias de enfrentamento no campo da clínica, da epidemiologia, da vigilância sanitária, do tratamento, da produção de vacinas, da produção de reagentes", afirmou o ministro.

Uma questão, particularmente, preocupa os governos da região: a produção de vacinas contra a gripe suína. Segundo Temporão, há expectativa de que ela já esteja disponível entre outubro e novembro deste ano. Enquanto não desenvolve sua própria vacina, o Brasil aposta na transferência de tecnologia, como já faz com as vacinas do rotavírus e da gripe sazonal.

O ministro disse que o Brasil está negociando com todos os produtores, consultando disponibilidade de estoques e preços e vai explorar sua "relação preferencial" de transferência de tecnologia com o laboratório francês Sanofi Pasteur.

"Nosso caminho é o caminho do acordo. Evidentemente, o Brasil está disposto a defender a segurança da saúde de sua população", frisou Temporão, dando a entender que o país estaria disposto a quebrar a patente da nova vacina, como fez em 2007 com o remédio Efavirenz, para tratamento do vírus HIV, causador da aids.

Mas não é apenas o acesso à tecnologia que preocupa o governo brasileiro. Temporão também manifestou apreensão quanto ao rendimento da vacina que está sendo desenvolvida, bem inferior ao da vacina contra a gripe sazonal. "Isso traz problemas: processo de produção mais lento, mais tempo, e número de doses mais baixo. Além disso, diferentemente da gripe sazonal, talvez sejam necessárias duas doses de vacina por pessoa", ponderou.

Isso significa que não será possível fazer vacinação em massa. "Não teremos condições de fazer uma imunização universal, teremos que usar critérios que serão definidos pela OMS [Organização Mundial da Saúde]", lamentou Temporão. Já há consenso quanto à imunização dos profissionais de saúde. O segundo critério, de acordo com o ministro, provavelmente será vacinar os grupos de risco (crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas).

O ministro assegurou que o país está preparado para enfrentar o aumento do número de casos de gripe suína, mas reconheceu que não há solução imediata. "Vamos ter um período difícil ainda, vamos ter algumas semanas de frio, com aumento com o número de casos. Infelizmente, teremos mais óbitos", afirmou.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos