Médicos da rede pública de BH interrompem atendimento

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte

Pela terceira vez neste ano, médicos da rede pública municipal de saúde de Belo Horizonte fazem paralisação de 24 horas. A categoria pleiteia aumento salarial e melhores condições de trabalho.

Segundo o sindicato da categoria, desde as 7 horas da manhã desta quinta-feira (23), somente casos de emergência e urgência estão sendo atendidos nas unidades de pronto-socorro e cerca de 80% dos médicos que trabalham em postos de saúde aderiram ao movimento.

As outras interrupções do trabalho médico ocorreram nos dias 23 de junho e 1º de julho.

De acordo com o presidente do sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), Cristiano da Matta Machado, se não houver entendimento entre a prefeitura e os médicos, os profissionais se comprometeram, a partir desta sexta-feira (24), a deixar de preencher os formulários que permitem ao município cobrar do SUS (Sistema Único de Saúde) os valores dos atendimentos e cirurgias feitas na rede pública da cidade à população.

"Nós vamos iniciar a operação caixa-zero. Com isso, nós esperamos fazer uma pressão nos gestores sem prejudicar a população. Nós queremos que a prefeitura passe a negociar, já que estará sendo pressionada no próprio caixa", advertiu.

Segundo ele, não existe obrigatoriedade legal de o médico preencher os formulários.

Machado afirmou que os profissionais querem, além do reajuste salarial, aumento do número de médicos nas equipes das unidades de saúde.

"A melhoria nas condições de trabalho, primordialmente, traduz-se no aumento do efetivo do corpo clínico. O acúmulo de trabalho gera prejuízos para o profissional e para o atendimento que ele presta ao cidadão. Tem unidade de saúde que carece de vários profissionais. O médico existente fica sobrecarregado com a falta de um colega ao lado. Existem outras deficiências, mas essa é a principal", explicou.

Dentro da programação da paralisação de hoje, alguns médicos vão doar sangue ao Hemominas (banco de sangue do Estado). Segundo o órgão representativo dos médicos, a ação, além do gesto de solidariedade, foi feita para demonstrar simbolicamente que a classe precisa "dar sangue" para que as unidades de saúde funcionem.

Crise econômica mundial
O presidente do sindicato dos Médicos de Minas Gerais afirmou que a Prefeitura de Belo Horizonte atribuiu à crise econômica mundial a culpa para falta de aumento salarial aos profissionais da saúde.

Atualmente, segundo ele, um médico em início de carreira no serviço público municipal da capital recebe mensalmente R$ 2.700 para carga horária de 20 horas semanais.

"A prefeitura tem dito por diversas vezes que não irá tratar de questões salariais neste ano. Os gestores alegam que não haverá reajuste por causa da crise econômica mundial. Eles dizem que ela afetou os cofres do município e por isso a arrecadação diminuiu. Mas estamos ainda muito longe do que seria um salário ideal, em torno de R$ 8 mil, que é o valor reivindicado pela Federação Nacional dos Médicos", declarou.

Procurada pelo UOL Notícias, a Secretaria Municipal de Saúde informou que somente no fim da tarde de hoje haveria a possibilidade de alguém do órgão se pronunciar sobre as reivindicações dos médicos e para avaliar a adesão deles ao movimento de hoje.

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