Secretário nega alto índice de violência em Luziânia e prevê queda de 60% nas mortes

Paula Laboissière
Da Agência Brasil
Em Luziânia (GO)

Ao comentar o alto Índice de Homicídios na Adolescência registrado em Luziânia, cidade goiana do Entorno do Distrito Federal, o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Liosório Meireles, se mostrou surpreso com a estimativa do Índice de Homicídio na Adolescência de 5,4 adolescentes com idade entre 12 e 18 anos assassinados para cada grupo de mil. Para ele, há violência na região, mas o número não corresponde à realidade.

Em entrevista à Agência Brasil, ele afirmou ainda que a previsão da pesquisa do Programa de Redução de Violência Letal contra Adolescentes e Jovens de 149 adolescentes assassinados entre 2006 e 2012 não vai se concretizar e defendeu uma redução de pelo menos 60% nos homicídios. "O cenário foi revertido. Estava faltando integração entre as forças de segurança pública e a comunidade."

Luziânia ficou em 15º lugar no ranking de municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes e que registraram altos índices de violência contra adolescentes em 2006. Em toda a região Centro Oeste, é a única cidade com uma média de mais de cinco jovens assassinados em cada grupo de mil - as demais registram no máximo três mortes.

Para o secretário, a razão da violência contra adolescentes na cidade se deve, sobretudo, à proximidade com a capital federal. Muitas pessoas, de acordo com Meireles, seguem para Brasília em busca de uma vida melhor, não conseguem emprego e passam a morar nas cidades goianas mais próximas.

Outro ponto de destaque, segundo ele, é a ausência de estrutura em muitos municípios do entorno. O Instituto Médico Legal (IML) de Luziânia, por exemplo, recebe corpos vindos de oito cidades da região - Cristalina, Cidade Ocidental, Valparaíso, Novo Gama, Santo Antônio do Descoberto, Águas Lindas, Padre Bernardo e Mimoso - algumas a mais de 200 quilômetros de distância. De acordo com Meireles, é comum que Luziânia registre homicídios de adolescentes que morreram em outros locais, o que, segundo ele, teria elevado os índices.

Meireles defende que a melhoria experimentada pela cidade se deve à implantação do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), a partir de 2007. "Em 2006, realmente existia esse índice de 5,4 jovens assassinados", disse, ao destacar que o número não reflete mais o cenário de violência contra adolescentes em Luziânia.

A cidade de mais de 300 mil habitantes já cadastrou, de acordo com a secretaria, 1,7 mil adolescentes e jovens com idade entre 15 e 29 anos em ações do programa do governo federal. O município conta com três telecentros para inclusão digital, três ginásios de esporte, quatro centros poliesportivos, teatro, cinema e biblioteca.

Na próxima terça-feira (28), vão ser selecionadas em Luziânia 500 mulheres da paz. Após a capacitação, elas vão atuar em suas próprias comunidades levantando problemas sociais. Os relatórios serão entregues a assistentes sociais e psicólogos.

"A polícia sozinha não dá conta. Os problemas são de ordem familiar", avaliou Meireles, referindo-se ao assassinato de adolescentes. Outra estratégia da prefeitura de Luziânia é o videomonitoramento - 26 câmeras já foram instaladas na cidade e um novo pedido de 50 peças foi feito ao Ministério da Justiça.

No final do ano, as obras do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia serão concluídas, o que, segundo o secretário, vai contribuir para a qualificação profissional dos jovens. "Há muita osciosidade", disse, ao citar o caso de um adolescente de 15 anos acusado de cometer pelo menos oito homicídios.

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