Com ano letivo já atrasado, professores entram em greve e deixam 259 mil alunos sem aula em AL

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Os 259 mil alunos matriculados na rede pública de Alagoas estão sem aulas a partir desta segunda-feira (27). Os professores e servidores administrativos estaduais iniciaram uma paralisação para cobrar um reajuste de 15% nos salários. Eles reclamam que o último aumento dado à categoria foi em 2006. Além do reajuste, a categoria cobra também outras questões, como o pagamento do benefício para quem tem difícil acesso, mudanças no plano de cargos e carreira do pessoal administrativo, além de reformas e mais segurança nas escolas.

Os servidores deram um prazo de 15 dias para que o governo apresente uma proposta, caso contrário eles prometem manter aulas e serviços escolares suspensos por tempo indeterminado. O Estado afirma que a greve acontece "no pior momento" possível e diz não ter como atender aos funcionários públicos por conta da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). Ainda segundo o governo, com a paralisação, 8.000 estudantes podem perder o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2009.

A data escolhida para início do protesto marca o retorno das aulas de cerca de 40% das escolas, que começariam apenas agora o ano letivo de 2009. Isso porque em Alagoas, devido a problemas como falta de professores e a greve de 2007 - que durou quase quatro meses -, o ano escolar ficou atrasado.

Nesta segunda-feira, os professores realizam uma passeata no centro de Maceió. Durante a semana, eles prometem fazer manifestações também nas principais cidades do interior. "Vamos chamar a atenção das pessoas para o descaso que a nossa educação está passando. Nossa paciência esgotou. Desde abril tentamos negociar. É preciso que o governo apresente uma proposta concreta, e não fique no diálogo sem oferecer nada", afirma a presidente do Sinteal (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas), Girlene Lázaro.

Segundo a professora, as condições atuais de trabalho estão deixando os professores com "problemas psiquiátricos". Prova disso seria que, somente este ano, mais de 1.600 professores foram afastados por licença médica - a maioria por transtornos mentais. "Nosso trabalho é estressante, já vínhamos alertando isso há um bom tempo. O governo precisa oferecer essas condições, porque os professores são constantemente ameaçados e sofrem com a estrutura precária das escolas do Estado", alerta Lázaro. Por conta do alto número de afastamentos, o Ministério Público abriu uma investigação para saber se há irregularidades na concessão dos benefícios.

"Greve no pior momento"
Para tentar evitar a paralisação, o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) enviou uma carta ao Sinteal na última sexta-feira (24). Ele pedia que a decisão de greve fosse revista. "Não há momento pior do que este para se cruzar os braços, pois governo, Sinteal e CUT [Central Única dos Trabalhadores] estão em franco diálogo", afirmou Vilela, ressaltando que Alagoas não pode extrapolar os limites para pagamento pessoal estabelecidos pela LRF.

O governador destacou que cerca de 8.000 alunos do ensino médio de 17 municípios - que estariam sendo transferidos para a rede estadual no início do mês de agosto - podem perder o Enem, marcado para outubro. Ainda segundo o Estado, a greve poderia acarretar também na perda de recursos federais devido ao possível atraso do censo escolar.

Por fim, Vilela afirma que paga o quarto maior salário do país aos professores com nível superior. Atualmente, um docente com carga horária de 40 horas semanais recebe salário base inicial de R$ 2.030. "O Estado só vai conseguir transformar a realidade social e efetivar mudanças substantivas na Educação, com o apoio e parceria da categoria dos professores e dos demais trabalhadores do setor", disse.

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