Estados mais afetados pela gripe suína tentam evitar que surto entre nas prisões

Silvana Salles DO UOL Notícias Em São Paulo

Os governos do Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná afirmam que já adotaram medidas para evitar a expansão do vírus da gripe suína (H1N1) para dentro dos presídios. Os três Estados, junto com o Rio de Janeiro, são os mais afetados pela pandemia do vírus no Brasil, concentrando quase todas as mortes provocadas pela doença até hoje - a única exceção é um homem que morreu em João Pessoa nesta semana.

As ações previstas incluem isolar em celas separadas presos que apresentarem sintomas da doença, hospitalizar detentos doentes, aumentar a vigilância epidemiológica em dias de visita, barrar a entrada de visitantes gripados e distribuir panfletos e recomendações às famílias dos internos. As determinações são semelhantes para as prisões paulistas, paranaenses e gaúchas. Procurada pela reportagem do UOL Notícias, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro não informou se tem um plano de prevenção ao vírus da gripe suína em seus presídios.

As secretarias responsáveis pela administração penitenciária de São Paulo e Rio Grande do Sul dizem que não há casos de gripe suína nas prisões estaduais. No Paraná, foi confirmado o caso de contaminação de um agente na Penitenciária Estadual de Ponta Grossa. Ele foi afastado do trabalho até se recuperar, segundo a Secretaria de Justiça.

"A prisão é um lugar muito insalubre", diz Regina Maura C de Melo Abrahão, pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo). "Em geral, as doenças infecciosas se espalham mais dentro das prisões do que fora delas".

Biomédica, Regina Abrahão fez um estudo sobre a tuberculose em unidades prisionais e constatou que ela é mais frequente dentro do sistema penitenciário do que na população em geral devido ao espaço limitado, o contato muito próximo entre os presos e as comuns más condições de higiene.

O risco de o vírus da gripe suína chegar aos presídios brasileiros preocupa o sindicato dos agentes penitenciários no Rio Grande do Sul. "Todos os cuidados que ajudam no combate à gripe são importantes e favoráveis, mas o sindicato acredita que as medidas anunciadas pelo governo são tímidas para a proporção do problema", afirma Alexandre Bobadra, diretor-executivo do sindicato.

O sindicalista conta que a entidade tem divulgado os cuidados recomendados para se proteger da doença, mas avalia que "é muito difícil evitar a gripe nas prisões" devido ao contato com os presos e o "péssimo estado de conservação" das unidades gaúchas.

No presídio regional de Passo Fundo (RS), houve um caso de suspeita de gripe suína. Um detento apresentou sintomas da gripe A, foi levado ao hospital e colocado em isolamento em uma cela individual como medida preventiva, informou a Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários). No entanto, o exame descartou a infecção pelo vírus da gripe suína.

O município de Passo Fundo já conta sete mortes causadas pelo vírus H1N1 e é a cidade com maior número de vítimas no Brasil.

O defensor público Eduardo Foscarin Pedroso entrou na Justiça com um pedido para permitir que os presos de regime aberto e semiaberto do presídio localizado na cidade possam cumprir suas penas em prisão domiciliar enquanto o risco de contaminação é mais grave. A ideia era que o espaço vago por estes presos desse lugar a outros do regime fechado que pudessem precisar ser isolados para se tratar da gripe suína. Porém, o pedido foi indeferido pela juíza Luciana Bertoni Tieppo na terça-feira (28).

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que desde agosto do ano passado realiza mutirões carcerários em diferentes Estados, concorda que o sistema prisional brasileiro está longe de apresentar condições de saúde coletiva ideais. No entanto, o órgão defende que há doenças muito mais graves do que a gripe A que precisam de atenção nas prisões, como a tuberculose e a Aids .

O coordenador dos mutirões, Erivaldo Ribeiro dos Santos, disse por meio da assessoria de imprensa que "o desafio maior é resolver outras doenças infecciosas antes mesmo de se pensar na gripe suína".

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