Policiais civis da Bahia paralisam atividades contra PM que matou perito

Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Atualizada às 17h25

Policiais civis decidiram paralisar as atividades nesta quinta-feira (30) em razão do assassinato de um colega. Eles exigem da Polícia Militar a apresentação do tenente recém-formado Fagner Costa Santos, apontado como responsável pela morte, ocorrida na manhã de quarta (29), do perito-técnico Hilton Martins Rivas, 25. O perito foi atingido por três tiros durante uma abordagem feita por quatro PMs lotados no 18º Batalhão (Centro Histórico), no Largo do Santo Antônio Além do Carmo.

Nesta manhã, cerca de 200 policiais civis protestaram em frente à sede da Segurança Pública (SSP), na Praça da Piedade, centro da cidade, deixando o trânsito congestionado na região. À tarde, a categoria voltou a se manifestar, interrompendo o trânsito em uma das principais vias da capital, a Avenida Centenário, em frente ao Instituto Médico Legal Nina Rodrigues.

Apenas três delegacias, dos bairros de São Caetano (4ª), Cajazeiras (13ª) e Nordeste de Amaralina (28ª), estão funcionando, mas em regime de emergência, somente para flagrantes e levantamento cadavérico.

Em nota oficial, a Secretaria Estadual de Segurança Pública declarou que o episódio é apurado em inquérito instaurado pela Polícia Civil em inquérito presidido pelo tenente-coronel José Alves.

Segundo o diretor do Sindicato dos Policiais Civis (Sindpoc), Carlos Lima, as atividades somente serão retomadas quando a PM apresentar o tenente na 2ª Delegacia, no Centro Histórico. Lima define a ação dos militares como uma "execução".

Autoridades das duas corporações temem que o fato provoque um conflito maior entre as duas guarnições, pois a Polícia Civil se diz indignada com a atitude do coronel Manoel Francisco Bastos, corregedor da PM, que teria assegurado ao tenente Fagner Santos a permanência em atividade.

O delegado chefe da Polícia Civil, Joselito Bispo, solicitou ao comando da PM a apresentação do tenente e dos policiais que o acompanhavam no momento do ocorrido. O entendimento do coronel Bastos, porém, é de que "não há motivos para deter um policial que agiu no legítimo cumprimento do dever". Segundo ele, o perito sacou a arma quando foi abordado e foi baleado.

"O meu policial agiu corretamente até prova em contrário. E nós vamos continuar investigando, se houver essa prova em contrário ele assumirá a responsabilidade", completou o coronel.

Nesta manhã, os manifestantes colocaram uma faixa preta em sinal de luto na frente da secretaria e fecharam a rua com cerca de 30 viaturas com sirenes ligadas. Eles já haviam realizado manifestação semelhante na noite de ontem no mesmo local. "Nosso objetivo não é criar animosidade com a PM, mas se eles podem agir dessa forma, com esse tipo de abordagem, nós também podemos", reagiu presidente do Sindpoc.

O perito, que era casado, tinha um filho e cuja mulher está grávida, chegou a ser levado para o hospital Ernesto Simões Filho, no bairro do Pau Miúdo, mas não resistiu.

Segundo testemunhas, Hilton, que estava bebendo em um bar no local onde ocorria a abordagem policial, travou uma forte discussão com o PM, recusando-se a acatar as ordens de Fagner. Para tanto, ele alegava ser também policial. Ele foi atingido ao levar a mão à cintura, como se fosse sacar a arma.

Já de acordo com os policiais militares, o perito reagiu à abordagem, apontando uma pistola para o tenente, que o atingiu duas vezes. Ainda segundo a PM, Hilton mesmo ferido esboçou nova reação, quando foi ferido pela terceira vez.

O sepultamento do perito técnico está marcado para as 16h, no cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas.

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