Brasileiros vão ao Paraguai para comprar Tamiflu sem receita médica, diz jornal

Do UOL Notícias Em São Paulo

Brasileiros estão cruzando a fronteira para comprar o medicamento Tamiflu nas farmácias de Ciudad del Este, no Paraguai. A informação é da edição desta sexta-feira (31) do jornal paranaense "Gazeta do Povo". A droga é usada no tratamento de pacientes diagnosticados com gripe suína que apresentam quadro de saúde grave e tem distribuição controlada no Brasil. O protocolo adotado pelo Ministério da Saúde recomenda que somente pacientes com quadro de saúde agravado nas primeiras 48 horas dos sintomas devem tomar o Tamiflu, para evitar resistência do vírus da gripe ao medicamento (mais informações abaixo).

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Segundo reportagem do jornal, balconistas de farmácias de Ciudad del Este dizem que dezenas de brasileiros procuram o remédio todos os dias, pessoalmente ou pelo telefone. Eles contam que um cliente que viajou de Porto Alegre teria comprado de uma só vez 100 caixas do medicamento. Cada caixa custa R$ 98, mas o preço passará para R$ 134 na semana que vem. O Tamiflu é vendido sem receita médica na cidade.

A procura fez laboratórios paraguaios lançarem versões genéricas do medicamento, batizadas com nomes como Biosid, Oselta e Laporcina.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou à reportagem do UOL Notícias que a compra de Tamiflu em outro país (no Paraguai, no caso) em grande quantidade para fim de revenda é proibido, mas ressaltou que não é proibida a venda a uma pessoa para consumo próprio.

O UOL Notícias questionou se há algum registro de Tamiflu falsificado oriundo do exterior no Brasil. Segundo a agência, não há registro de comércio de Tamiflu falsificado vindo de fora do país nem de medicamento contrabandeado. A distribuição do remédio no Brasil está sendo feita diretamente pelo Ministério da Saúde aos postos de saúde.

Numa operação da PF em abril passado na fronteira com o Paraguai, foram apreendidos os medicamentos Cytotec, de uso proibido no país, Viagra e Cialis falsificados, Pramil (contrabando), Sibutramina e Desobesi (substâncias sob controle especial), dentre outros. A PF prendeu na ocasião três pessoas que tentavam entrar com esses produtos no território nacional.

Riscos da automedicação
O protocolo adotado pelo Ministério da Saúde recomenda que somente pacientes com quadro de saúde agravado nas primeiras 48 horas dos sintomas devem tomar o Tamiflu, para evitar resistência do vírus da gripe suína ao medicamento.

A infectologista Cláudia Stockler de Almeida, do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo), também ressalta que o Tamiflu não é uma droga livre de efeitos colaterais, por isso é essencial usá-la com orientação médica. "O remédio pode causar alergias, náuseas e alucinações", relata.

Em gestantes, o uso do Tamiflu depende de uma avaliação criteriosa de riscos e benefícios, e a droga também é contraindicada para crianças com menos de 1 ano.

Além disso, em casos graves, a droga não é a única a ser utilizada. "Quando um paciente possui algum fator de risco ou a gripe evolui, é preciso administrar outros medicamentos, como coirticoides, antibióticos e inalação", diz.

Por último, a infectologista reforça que não há motivo para pânico e lembra que a gripe suína só tem se mostrado fulminante quando há outros fatores de risco envolvidos, como gravidez, ou quando o paciente já é portador de alguma outra doença que compromete a imunidade. "Mas é preciso procurar auxílio médico imediatamente em caso de sintomas como falta de ar, dor torácica e sinais de desidratação, como urina diminuída", avisa.

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