Três anos depois, ninguém ousa questionar a lei antifumo em Québec

Bianca Saia
Rádio Canadá Internacional
Em Montreal (Canadá)

Em Québec, no Canadá, não se pode fumar em bares, restaurantes e outros locais fechados desde 2006 e, assim como em São Paulo, a introdução da lei antifumo na província causou muita polêmica. Hoje, entretanto, a lei tem adesão total e ninguém mais discute o assunto.

Ouça a reportagem:



Fumando do lado de fora de um restaurante de Montréal, a maior cidade da região, Nicolas Ritou disse que se adaptou totalmente à nova lei. "No início eu fiquei com medo, mas hoje acho até mais agradável", conta.

Para Ritou, sair do bar para fumar virou um ritual, que divide com outras pessoas. "Acabo até fumando menos, e aí me sinto menos acabado no fim da noite."

Lei antifumo em Québec

  • Em Québec, o fumo está proibido em bares, restaurantes e outros locais fechados desde 2006...

  • ... mas, passados 3 anos, a população local já se adaptou...

  • ... e sai quando precisa fumar



Marie, uma amiga de Nicolas, concorda: "Minhas roupas não ficam mais cheirando a cigarro no fim da balada".

Os brasileiros que moram em Montréal também aprovam a lei. Selma Ferreira Alves, que não é fumante, adora a lei antifumo do Québec: "No Brasil isso não funcionava e a fumaça passava da ala de fumantes para a dos não-fumantes", lembra. "Aqui é o máximo ver as pessoas, em pleno inverno, terem de ir fumar lá fora no frio e na neve."

Peter Sergakis, proprietário de 15 bares na região de Montréal, foi uma das principais vozes opositoras à lei antifumo em bares e restaurantes. Ele chegou a levar o caso até a Corte Superiora em 2005, numa tentativa de reverter a nova lei, mas não teve sucesso.

Segundo Sergakis, a perda no faturamento dos bares após a lei ter entrado em vigor chega a 20%, já que a maioria da sua clientela fuma. Sergakis, no entanto, é atualmente uma voz isolada.

Para Renaud Poulin, presidente da Corporação de Proprietários de Bares, Microcervejarias e Tavernas do Québec, que reúne mais de 5 mil membros, os alarmes que soaram com a mudança da lei foram falsos.

"Quem mais sofreu foram os bares com máquinas de caça-níqueis, que tiveram uma perda de cerca de 15% no primeiro ano após a mudança da lei", afirma Poulin.

Hoje, as vendas nesses locais são quase iguais ao que era antes. "Em relação ao álcool, a situação é mais complicada, já que as vendas têm diminuindo de maneira geral, mas por causa da recessão." Mas quanto ao cigarro, continua Poulin, "nossa clientela já está acostumada, concorda com a lei, e quando vai ao bar, fuma do lado de fora".

O advogado e ativista contra o fumo Rob Cunningham diz que o debate em Québec acabou. "Sabemos que aqui no Canadá uma parcela da oposição foi financiada pela indústria do tabaco, preocupada com a queda nas vendas", afirma. "É certo que esse tipo de lei envia uma mensagem: a de que o fumo é um hábito cada vez menos aceito socialmente."

Cunningham diz que, apesar da oposição, a lei pegou no Québec e espera que o mesmo ocorra no Brasil. "Em São Paulo, eu prevejo que um dia as pessoas vão se perguntar por que a lei demorou tanto para entrar em vigor?"

O cerco aos fumantes continua a se fechar no Québec. Desde maio de 2008, os maços de cigarros não podem mais ser expostos nem nos pontos de venda, tendo de ficar guardados dentro de armários fechados, escondidos dos consumidores.

No Canadá, em 4 províncias, incluindo Ontário - a mais populosa, é proibido fumar dentro do carro na presença de uma criança. Alberta é uma das 4 províncias que proíbem o fumo mesmo nas varandas ao ar livre de bares e restaurantes. E não deve demorar muito até que o Québec também adote essas leis, já que a província de língua francesa do Canadá deve rever sua lei antifumo no ano que vem.

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