Passageiro relata "10 segundos de pânico" em voo entre Rio e Houston; turbulência deixou 26 feridos

André Naddeo
Do UOL Notícias
Do Rio de Janeiro*

Para o dinamarquês Jan Lomholvt, 43, o voo 128 da Continental Airlines, que fazia a rota Rio de Janeiro-Houston(EUA), era como qualquer outro de sua apertada agenda de empresário. "Após seis horas, mais ou menos, resolvi ir ao banheiro. Estava tudo tranquilo. Da janela, o céu estava limpo, e eu podia ver algumas ilhas", disse.

Voo decolou do Rio no domingo à noite

Quando Lomholvt voltava para seu assento, porém, a tranquilidade acabou: "Foram 10 segundos de pânico", resume. O incidente deixou 26 pessoas feridas, quatro delas em estado grave, e obrigou o avião a realizar um pouso de emergência em Miami (EUA).

"Sem explicação alguma eu ouvi um 'boom'. Foi quando o avião caiu abruptamente. Eu fui lançado para o teto e bati as minhas costas, antes de ser jogado de novo para o chão. Consegui me agarrar numa corda que estava perto da área do banheiro. Foi quando eu pude perceber que as pessoas iam para o teto e voltavam para o chão. Uma gritaria", relatou. O empresário diz que não percebeu nem ouviu nenhum sinal, sonoro ou visual, para apertar os cintos.

Lomholvt é casado com uma jornalista brasileira e estava no Rio de Janeiro passando férias junto com o enteado Bruno Baker, 13, que também viajava no voo. "Eu só pensava: 'Meu Deus, onde está o Bruno, onde está o Bruno?'. Ainda bem que ele estava com o cinto [de segurança] afivelado. Isso o salvou", disse.

"Para você ter uma ideia da força da turbulência, as máscaras de ar caíram não porque foram acionadas, mas porque as pessoas bateram a cabeça ali. Ficou um buraco", completou o empresário, que, apesar de estar fora da cadeira, não precisou ser encaminhado para o hospital. "Sinto apenas um pouco de dor nas costas."

Mesmo ainda assustado com o episódio, Bruno também falou com o UOL Notícias. "Eu estava dormindo quando ouvi um barulho muito forte. Aí tudo começou a chacoalhar. Foi uma gritaria, ninguém tinha ideia do que estava acontecendo", conta. "Tinha uma mulher do meu lado que estava sangrando muito na cabeça e na perna", completou.

Silêncio e assento solto
Após o susto inicial, os dois passageiros relatam que as comissárias de bordo da Continental Airlines perguntaram pelo sistema de som do avião se havia médicos a bordo para que as vítimas em estado mais crítico fossem atendidas.

"Foi algo tão assustador que, até Miami, ficou todo mundo em silêncio e com medo. [A turbulência] foi tão forte que o meu assento se soltou, fui até Miami temendo que pudesse me machucar de novo", disse Jan Lomholvt.

Posição oficial
Mary Clark, porta-voz da empresa aérea, disse que o sinal para apertar os cintos de segurança estava aceso no momento do acidente. O porta-voz do corpo de bombeiros de Miami, Elkin Sierra, disse que quatro pessoas ficaram gravemente feridas. Outros 22 passageiros estão em condição estável, com inchaços e contusões.

*Com informações da Folha Online e das agências internacionais.

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