Estados do Nordeste têm planos diferentes para enfrentar a nova gripe; já são 3 mortes na região

Carlos Madeiro Especial para o UOL Notícias Em Alagoas

Mesmo registrando pouco mais de 200 casos, a região Nordeste já contabiliza três mortes e registra índice de mortalidade da doença de quase 1,5% das pessoas contaminadas, o que é quase quatro vezes maior que a média mundial de 0,4%.

Os dois maiores Estados do Nordeste - Bahia e Pernambuco - confirmaram nesta segunda-feira (3) as primeiras mortes por conta da gripe suína. Antes dos dois óbitos anunciados hoje, a Paraíba já havia confirmado a morte de um estudante de enfermagem no dia 28. Centro-Oeste e Norte ainda não contabilizam mortes.

As secretarias de Saúde dos três Estados, no entanto, possuem táticas e tiveram reações diferentes após os anúncios das mortes. Pernambuco anunciou novos leitos no hospital-referência, enquanto a Paraíba pretende capacitar hospitais do interior. Já a Bahia afirmou que a morte confirmada é um fato isolado e que "nada muda" no combate a doente.

Em nota, a Secretaria de Saúde da Bahia chegou a informar que o vírus não circula no Estado, informação contestada por especialista ouvido pelo UOL Notícias.

Os três Estados afirmam estar "prontos" para enfrentar o crescimento no número de casos da doença. As secretarias de saúde colocaram números de telefones à disposição da população e indicaram ao menos uma unidade de referência para os casos graves.

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o Ministério da Saúde é o responsável pela indicação do protocolo para tratamento da nova gripe, mas os Estados e os municípios devem ter seus planos de ações próprios.

"O plano é padronizado para todo o país e o Nordeste entra nesse contexto, embora, se comparado a outros Estados, a região receba menos voos internacionais que grandes centros do Sudeste, por exemplo", afirma a Anvisa. O órgão, que atua no controle de fronteiras, portos e aeroportos do país, não pretende alterar seu plano de ação nacional por conta das mortes no Nordeste.

Bahia só tem um hospital referência
Maior Estado do Nordeste e importante destino para turistas de todo o mundo, a Bahia defende que nada muda no controle da nova gripe. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, 54 casos já foram confirmados e somente o de um corretor de imóveis, de 50 anos, que morreu nesta segunda-feira, é considerado grave.

No Estado, apenas o hospital Otávio Mangabeiras, em Salvador, é referência para o tratamento da doença. No entanto, a secretaria diz que os casos de nova gripe são atendidos em todas as unidades de saúde do Estado. "Qualquer pessoa que tenha o sintoma pode procurar qualquer unidade para atendimento", informou a assessoria do órgão.

Mesmo mantendo apenas um hospital como referência, a secretaria diz que a quantidade de leitos e remédios é suficiente para atender a população. "A Bahia está preparada para a gripe suína e não há nenhum problema no nosso plano de ação", ressaltou a secretaria, sem especificar números.

Pernambuco amplia leitos
Já a Secretaria de Saúde de Pernambuco anunciou que vai ampliar o número de leitos no Hospital Oswaldo Cruz, em Recife, principal centro para atendimento de casos graves da nova gripe.

Atualmente, o hospital conta com quatro leitos de enfermaria e um de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Até sexta-feira (7), esses números deve saltar para 22, na enfermaria, e sete, na UTI.

"Vamos reforçar a divulgação dos cuidados para evitar o contágio. Pedimos para as pessoas que apresentem os sintomas da gripe que evitem sair de casa e procurem uma unidade de saúde para que um médico faça o encaminhamento", disse a secretária executiva de Vigilância em Saúde, Inês Costa, em entrevista coletiva nesta segunda-feira.

Segundo ela, a morte confirmada não muda em nada o plano de ação do Estado, que possui unidades de saúde habilitadas em toda região para os primeiros atendimentos de casos suspeitos.

A Secretaria Estadual afirma ainda que os hospitais particulares estão sendo capacitadas para receber pacientes com o vírus H1N1.

"Nós tivemos uma reunião na semana passada - e teremos outra reunião essa semana - com as grandes emergências particulares. Assim elas se integram à nossa rede de atendimento", informou.

Paraíba quer ampliar rede
Na Paraíba, o governo do Estado afirmou que a morte foi um "caso isolado" e que a rede estadual está pronta para atender a população, inclusive no que se refere à quantidade medicamentos.

O Estado tem dois hospitais-referência para tratamento da nova gripe, ambos universitários: o Lauro Wanderley, em João Pessoa, e o Alcides Carneiro, em Campina Grande (a 130 km da capital).

Já os hospitais regionais dos municípios de Sousa, Guarabira, Monteiro, Patos e Cajazeiras, em breve, devem passar a atender os pacientes sem a necessidade de transferência.

"Equipes da secretaria vão até essas cidades para se reunir com os secretários de saúde e médicos da rede hospitalar e das unidades básicas de saúde para tratar sobre esse assunto", afirmou o secretário de Saúde da Paraíba, José Maria de França.

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