Vírus já circula no Nordeste e casos de nova gripe devem aumentar "vertiginosamente", diz médico

Carlos Madeiro Especial para o UOL Notícias Em Alagoas

O aumento vertiginoso no número de casos da nova gripe no Nordeste é apenas uma questão de tempo. É o que afirma o médico infectologista da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), Celso Tavares. Para ele, ao contrário do que diz a Secretaria de Saúde da Bahia, o vírus já circula em toda a região, mas de forma amena - diferente do que acontece nas regiões Sul e Sudeste.

"Ele [o vírus H1N1] vai se espalhar, não tem para onde correr. Ele já circula por aqui. Ainda não é de uma forma dominante, mas, em certa hora, será. É uma questão de tempo", diz.

Embora concentre os piores índices sanitários do país, no caso da gripe, o Nordeste possui vantagens climáticas no que se refere à proliferação de vírus. O médico explica que a forte presença do sol na região é uma vantagem natural em comparação com os Estados do Sul e Sudeste, por exemplo.

"Aqui há menos chance de proliferação. Os vírus gostam de temperatura fria e seca, e a maioria deles é muito sensível ao meio ambiente. O sol é um fator protetor, e o frio favorece as infecções", ressalta.

Por outro lado, a falta de estrutura da rede básica, principalmente nas cidades do interior, é um desafio para epidemiologistas da região. "Nós vamos ter dificuldades, não há dúvida. É preciso estruturar as redes e capacitar os profissionais. Poucas cidades têm médicos residentes. Enquanto não tivemos uma situação em que o profissional tenha um salário decente, more na cidade e participe capacitações - e assim não 'morra' por falta de conhecimento científico - será sempre complicado", afirma o médico.

Para Tavares, é impossível prever se a gripe no Nordeste vai apresentar índice de mortalidade maior que as demais regiões ou países do mundo. Hoje, esse índice chega a 1,5% dos contaminados.

"Calcular o risco é muito difícil, porque existem centenas de variáveis. Mas muitas das mortes da gripe poderiam ter sido evitadas se soubéssemos mais sobre o vírus. Esse desconhecimento ainda é um desafio, não só aqui no Nordeste", afirma.

"Hipocondria aguda" pode sobrecarregar rede
A chegada da nova gripe fez com que a população nordestina ficasse alerta para sintomas antes desprezados. Atualmente, ao primeiro sinal de tosse, dor na garganta e febre, as pessoas buscam atendimento médico.

Essa procura cresceu nos últimos meses em unidades de saúde de todos Estados da região.

Embora a nova gripe necessite de tratamento rápido, o médico Celso Tavares alerta para o que chama de "hipocondria aguda".

Segundo ele, o medo excessivo das pessoas pode sobrecarregar a precária rede de saúde pública da região.

"Está havendo uma paranoia com esta gripe. As pessoas estão entrando em pânico. Uma pessoa que chega com um sintoma de gripe quer que nós tiremos alguém que está com risco de morte de uma ala só por uma coriza. Não é assim", explica o infectologista, que atende a casos suspeitos da doença no Hospital Escola Hélvio Auto, referência para internações por gripe suína em Alagoas.

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