Bebê indígena morre por gripe suína no litoral paulista

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

A prefeitura de São Vicente, no litoral de São Paulo, confirmou nesta sexta-feira (14) a morte de um bebê de 3 meses na aldeia Xixová-Japuí, na Reserva de Paranapuã, em decorrência da gripe A (H1N1).
  • Claudio Vaz/Ag.RBS

    Índios que ficam acampados às margens da BR-392, no Passo do Verde, em Santa Maria (RS), recebem orientações sobre a nova gripe. A aldeia guarani terá a visita de duas enfermeiras, avaliação da saúde dos moradores e vacinação



A criança morreu no último dia 7, depois de quatro dias internada no Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, referência para o tratamento da nova gripe na região.

De acordo com a prefeitura de São Vicentes, a mãe do bebê, de 32 anos, ficou internada até ontem (13) com pneumonia, mas já foi liberada porque não foi confirmada a contaminação pelo vírus da gripe.

Mais quatro índios da mesma aldeia estão sendo monitorados pela Vigilância Epidemiológica de São Vicente por apresentarem os sintomas da doença.

Segundo a prefeitura, ainda não é possível saber como o bebê foi contaminado. Os indígenas dessa tribo têm contato com outros povos, porque rondam a cidade vendendo artesanato e também visitando outras aldeias da região, como Mongaguá e Bertioga.

Esse é o segundo caso de morte provocada pelo vírus em aldeias indígenas. Segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio), o primeiro caso aconteceu na aldeia Kaigang, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A vítima era um homem que também tinha contato com outros povos e vivia acampado nos arredores da região para vender artesanato.

Funai proíbe entrada em reservas
Para evitar que a nova gripe se espalhe entre as comunidades indígenas do Brasil, a Funai suspendeu "todo e qualquer" processo para autorização de entrada não-índios em reservas e recomendou que as administrações regionais não mandem indígenas para Brasília ou qualquer outra cidade que tenha suspeita da doença.

As medidas foram adotadas depois que o Ministério da Saúde do Peru confirmou na quarta-feira (12) que pelo menos sete membros da tribo matsigenka, que vivem isolados na Amazônia peruana, foram contaminados com o vírus da nova gripe suína.

Depois disso, a organização Survival International, voltada à proteção de indígenas de todo o mundo, soltou um alerta para o contágio em populações isoladas e vulneráveis. Segundo Stafford Lightman, professor de medicina da Universidade de Bristol ouvido pela ONG, o efeito da gripe suína sobre os indígenas pode ser "devastador", porque eles têm imunidade muito menor para doenças de que circulam entre não-índios.

A Funai explica que as tribos estão sendo orientadas sobre a epidemia e que, no caso das tribos mais isoladas, que têm mais dificuldade de entender a doença, os profissionais tentam comparar o surto de gripe ao da malária, que é mais familiar aos indígenas.

Os órgãos regionais da entidade também estão tomando medidas pontuais, de acordo com a incidência da doença em cada Estado. Em Chapecó (SC) e Curitiba (PR), por exemplo, os eventos indígenas foram adiados ou cancelados. O retorno às aulas nas escolas indígenas da capital paranaense também foi adiado.

O Departamento de Saúde Indígena da Funasa (Desai) informou que destinou R$ 288 mil para a intensificação da vigilância e do controle da epidemia de nova gripe.

Segundo o coordenador geral de Atenção à Saúde Indígena do Desai, Flávio Nunes, cada unidade regional recebeu R$ 8 mil.

"Em vez de comprarmos o material e distribuirmos entre os distritos, vamos dar o recurso. Assim, o Dsei terá autonomia para comprar o que tem maior necessidade", afirmou ele.

"É importante que todos os Dseis instituam um gabinete de crise para discutir a epidemia e desenvolver ações integradas. Nós já entramos em contato com o Ministério da Saúde para que a população indígena tenha uma atenção em especial, já que tem tendência a problemas respiratórios", ressaltou.

* com informações da Agência Brasil.

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