Terceira fase das buscas no Araguaia termina sem ossadas

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O grupo responsável pela nova busca aos corpos dos desaparecidos na guerrilha do Aragaia termina nesta terça-feira (18) a terceira fase das buscas na região do Pará à procura de cemitérios oficiais e clandestinos que possam guardar restos mortais dos combatentes. Segundo o Ministério da Defesa, até o momento nada foi encontrado em quatro dos dez locais previamente escolhidos para escavações.

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A comissão, seguindo informações passadas por antigos guias do Exército e por familiares de militantes, escavou o pátio do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), no centro de Marabá (PA), a Fazenda Tabocão e a Fazenda Água Fria, ambas no Pará. Estes pontos foram descartados por não conterem indícios de ossada.

  • Arte UOL

No Complexo do Matrinxã, os técnicos usaram um GPR (radar de solo) e também não encontram indícios, mas o local será revisitado na quarta fase. O grupo também deve passar por São Domingos e São Geraldo do Araguaia, também no Pará, e para Xambioá, no Tocantins, que abrigavam na década de 70 acampamentos militares.
  • Moacyr Lopes Junior/Arquivo Folha Imagem

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A quarta fase começa no dia 24/08, depois da análise dos relatórios das fases anteriores. Qualquer material que for encontrado nas novas buscas será enviado aos laboratórios de perícia para a identificação. Até hoje, de todas as ossadas encontradas, somente os corpos de Maria Lúcia Petit da Silva e Bergson Gurjão Farias foram identificados.

As escavações são encabeçadas pelo Exército e contam com o apoio de outra 23 pessoas: 2 representantes do Estado do Pará, 2 do Distrito Federal, 1 procurador e 2 advogados da Advocacia Geral da União, 2 antropólogos do Museu Emilio Goeldi, 3 técnicos da Polícia Federal, 5 médicos legistas e 1 perita criminal, 1 professor de geologia e 1 técnico da Universidade de Brasília e 3 observadores independentes.

Decisão judicial
Depois de recorrer da decisão duas vezes e sem ter mais direito a recursos, o Ministério da Defesa criou o grupo de trabalho em cumprimento à ordem judicial de 2003, dada pela juíza federal Solange Salgado, que obriga o governo brasileiro a abrir os arquivos do Araguaia e devolver às famílias os corpos dos guerrilheiros desaparecidos.

Na semana passada, o Ministério Público Federal do Distrito Federal solicitou à Justiça a suspensão das atividades de busca até que sejam ouvidos todos os militares vivos envolvidos na guerrilha. A procuradora Luciana Loreiro analisa o pedido.

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