PM diz que 90% da área ocupada por favela na zona sul de SP já foi desocupada

Marcelle Ribeiro
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Moradores perdem moradia, pertences e lamentam reintegração de posse

Moradores da favela Parque do Engenho, no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, retirados da comunidade devido a uma ação de reintegração de posse, permanecem com seus pertencem na calçada da rua Ana Aslam


Atualizada às 13h06

O comandante do 37º BPM (Batalhão de Polícia Militar), Carlos de Carvalho Júnior, afirmou que 90% da área de propriedade da viação Campo Limpo, sobre a qual foi erguida a favela Parque do Engenho, no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, já foi reintegrada.

Segundo ele, três pessoas foram presas para averiguação - por desacato e por suspeita de posse ilegal de arma - e uma bomba caseira foi apreendida. A ação de reintegração de posse teve início na manhã desta segunda-feira (24).

Duas pessoas ficaram feridas: um morador que tentou mover um vaso sanitário e um PM que foi atropelado por um motoqueiro que tentava fugir de um bloqueio. O policial foi levado para um hospital da polícia e o motoqueiro, preso.


1.500 pessoas despejadas
A ação de reintegração de posse teve início na manhã dessa segunda-feira (24). Cerca de 1.500 pessoas moravam na favela, formada por cerca de 800 barracos.

A área onde estava a favela, com 14 km², pertence à viação Campo Limpo, que conseguiu a reintegração de posse na Justiça. Segundo a polícia, os moradores atearam fogo em 14 barracos, dentro dos quais estariam os pertences deles próprios.

Os moradores negam a versão da PM e dizem que o fogo começou em razão das bombas jogadas pelos policiais. Ao menos 800 barracos serão destruídos.

O Corpo de Bombeiros ainda trabalha para apagar as chamas dos barracos. Doze carros e quarenta homens dos bombeiros estão no local. "A situação está controlada", diz o comandante. Não houve mortos na operação.

De acordo com a PM, os moradores ainda teriam atirado coquetéis molotov nos policiais. O coronel Carlos Botelho disse que duas pessoas foram presas por supostamente terem lançado rojões contra os policiais.

Botelho disse que o trabalho de reintegração continuará até as 18h de hoje e, se não for concluído, recomeça às 6h da manhã de terça-feira (25).

A PM afirma que não houve disparo de tiros e que apenas bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral foram lançadas. Cerca de 250 homens da PM estão no local, inclusive do batalhão da tropa de choque. Não há confronto nesse momento.

Segundo a coordenadora da Frente de Luta por Moradia, Felícia Mendes Dias, a prefeitura ofereceu albergues para os moradores, mas eles não querem essa solução, pois temem que as famílias fiquem divididas. Eles só aceitam ir para albergues se ficarem juntos. Os moradores prometem que irão permanecer no local até que suas reivindicações por moradia sejam atendidas.

Pela manhã, antes do início da reintegração de posse, dois jornalistas foram assaltados. Eles tiveram suas mochilas levadas por dois assaltantes. Segundo a polícia, eles chegaram ao local sem autorização.

Veja o local da reintegração

  • A reintegração ocorre na favela Parque do Engenho, formada por cerca de 800 barracos, localizada na região do Capão Redondo, periferia da zona sul da capital

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